Comichão europeia
Profundo desconhecedor dos obscuros meandros da política europeia, estou completamente a sudoeste das jogatanas e negociatas que envolvem esta divertida situação do aspirante a comichário Buttiglione, Butt para os amigos. Começou pela escolha e prosseguiu, depois, pela lógica da argumentação, verdadeiramente inovadora, segundo a qual as convicções pessoais dos polítcos nada têm que ver com a a sua actuação enquanto detentores de cargos públicos -- é perfeitamente irrelevante o aspirante a comichário da justiça e assuntos internos, o senhor Buttiglione, Butt para os amigos, achar que a homossexualidade é pecado e que o lugar das mulheres é em casa a tomar conta dos filhos. Aliás, a história está repleta de exemplos que confirmam a verdade inabalável desta premissa.

Agora, mesmo perante a evidência de que poucos acham as opiniões do senhor Buttiglione, Butt para os amigos, sequer vagamente aceitáveis (até mesmo o rebanho que concordou em votar favoravelmente a investidura de uma Comichão Europeia que tivesse o nome dele lá perdido no meio se sentiu na necessidade de produzir publicamente justificações idiotas) ele, o senhor Buttiglione, etc. etc., recusa-se a aceder ao pedido de quem o propôs, Berlusconi, para se afastar, o que evitaria uma crise de proporções desconhecidas no seio da transparente União Europeia. Segundo as notícias, recusa a "sacrificar-se". Um bom cristão, portanto.

Eu sei que não me devia rir destas coisas, mas deve ser da comichão que me provocam. E de não conseguir parar de imaginar o JMD Barroso, Dr., a aproveitar a remodelação a que o senhor Buttiglione (...) o obriga mesmo antes de começar o mandato e nomear para as pastas da economia e afins alguns comunistas empedernidos, daqueles para quem a homossexualidade é pecado e o lugar das mulheres é de bebé ao colo nas manifestações, com o argumento de que as convicções pessoais dos polítcos nada têm que ver com a a sua actuação enquanto detentores de cargos públicos. Patetices.
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