Esmagados pela crescente complexidade ou pela consciência da complexidade de uma realidade que não conseguimos abarcar... Parvoíce. Nunca conseguimos (pretérito perfeito), nunca conseguimos (presente), nunca conseguiremos (felizmente). O que lixa tudo é esta necessidade de planeamento que nos força a tentar abarcar cada vez mais. E quanto mais tentamos abarcar, compreender, mais a nossa incapacidade para o fazer se torna evidente.
Esmagados pela complexidade que nos treinámos a ver e à qual agora não sabemos o que fazer. A saída está, cada vez mais, em fazer de conta que a tal complexidade não existe, ou que não demos conta que existe, em tratar cada assunto como se não soubéssemos que não se pode tratar de um assunto. É impressão minha ou é esse o espírito do tempo? Fazemos cada vez mais isso, individual e colectivamente, ou sou eu que, por razões que talvez não queira explorar, o vejo cada vez mais? Ou é apenas uma consequência necessária da quantidade enquanto inimiga ancestral da qualidade e eu só estou aqui a perder o meu tempo com chavões?
Esmagado pela tal complexidade blá blá blá, se calhar estou a transformar-me num velho do Restelo, e ainda por cima daqueles velhos do Restelo que não têm casa no Restelo, que são os piores. O melhor será entrar num período de negação. Anos depois de uma passagem bastante mal sucedida pelo Movimento Dissociativo Juvenil, a negação pura e dura das realidades mais básicas e evidentes trará pelo menos a vantagem inédita de ter companhia com fartura. Lá para Dezembro começo, mas não sei quando acabo – talvez 5 minutos depois, talvez quando as conveniências permitirem que a máquina me seja desligada, quem sabe. Se me notarem (ainda) mais estranho, tenham a caridade de não dizer nada a ninguém. Especialmente a mim.
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