Estava a jantar uma mistura de beringelas e brócolos cozidos em água com pouco sal, o suficiente para poder ser apelidado de refeição, mas não o suficiente para me fazer rebentar quando em contacto com a barrigada de amendoins que comi durante a tarde. Garfada aqui, garfada ali, tudo com muita calma, tudo muito herbívoro, com a televisão à frente, como sempre. Subitamente, o anúncio de um novo brinquedo para oferecer às crianças no Natal: um cão que urina (no anúncio, urina para o pé de um senhor que tenta impor algum respeito a uma criança insuportável). Até aqui, nada de demasiado anormal. Há imensos bonecos, antropomórficos ou não, que se promovem na base das manifestações fisiológicas que simulam, desde defecar a fazer bolhas com a boca, passando por berros, choros e “urina”. Mas este tem uma particularidade interessante: bebe a água que, mais tarde, mijará, presumo que sem qualquer aditivação. Pelo que pude perceber do que vi (que é o que eles mostram), da boca do cão sai uma enorme língua vermelha de plástico que chupa água de uma tigela ou do que se lhe puser à frente. Mais tarde, não sei se com algum comando ou quando a natureza mandar, o boneco alça a perna e cá vai disto. Mesmo assim, ainda consegui acabar os brócolos. As beringelas, felizmente, já tinham ido todas.
Aguardo pacientemente o momento em que a perversidade descontrolada dos criativos ao serviço da indústria de brinquedos trará o apocalipse sob a forma de didactismo. |