Ex-cursão
Pensava eu que tinha a vida ganha para os próximos tempos e ainda por cima sem ter que me dar a muito trabalho... Há dias, espalhei umas fotocópias pelo comércio tradicional das freguesias circundantes a anunciar a abertura de inscrições para uma excursão de um dia a Lisboa. O plano era simples e, aparentemente, sem falha possível. Por apenas €25, qualquer pessoa poderia ter transporte de ida e volta para o Chiado, em Lisboa, na próxima quinta-feira dia 2 de Dezembro, onde poderia intercalar as compras de Natal com pequenas incursões ao Tribunal da Boa Hora para acompanhar o espalhafato e contribuir com alguns insultos. Disposto a fornecer um serviço de qualidade, os tais €25 já incluíam um mapa detalhado da zona com as principais áreas comerciais assinaladas, um directório completo das lojas da Baixa de Lisboa, uma garrafa de litro e meio de vinho morangueiro, uma sande de mortadela e um cartaz em formato A3 com dizeres relativos ao processo Casa Pia (as opções eram “Carlos Cruz Porco Devias Ser Capado”, “Bibi Ádes Apodrecer Na Cadeia” e um terceiro com o tipo de linguagem que não entra neste blog).

A adesão estava a ser imensa e, a uma semana da excursão, já tinha recebido o dinheiro da inscrição de gente suficiente para encher 4 autocarros, que já estavam, entretanto, reservados, já tinha encomendado e pago adiantado o tinto em grandes quantidades e já tinha mais de 200 sandes espremidas no congelador à espera da hora do degelo, para não falar de que a maior parte dos cartazes já estava impressa (a maior parte das pessoas optou pelo que não posso reproduzir aqui).

Mas a sala do Tribunal da Boa Hora é apertadinha, coitadinhos dos advogadozinhos e dos magistradozinhos e dos arguidozinhos e do raiozinho que os parta a todos. E como a sala é apertadinha, coitadinhos, têm de transferir o julgamento para Monsanto, onde há mais confortozinho e mais segurançazinha e onde não há uma merda dum boteco onde o pessoal possa comer umas moelas enquanto as câmaras das televisões estão desligadas. Lojas onde se aviem as tralhas para dar no Natal, nem vê-las. Ou seja, agora está toda a gente a desistir da excursão e vou ter de devolver o dinheiro, grande parte dele já investido e sem retorno possível. Deve ser a isto que eles chamam justiça, aquela em quem todos eles juram, com ar sonso, ter confiança. Está lindo, este país, está.
início
Arquivo
Outubro 2004 . Novembro 2004 . Dezembro 2004 . Janeiro 2005 . Fevereiro 2005 . Março 2005 . Abril 2005 . Maio 2005 . Junho 2005 . Julho 2005 . Agosto 2005 . Setembro 2005 . Outubro 2005 . Novembro 2005 . Dezembro 2005 . Janeiro 2006 . Fevereiro 2006 . Março 2006 . Abril 2006 . Maio 2006 . Junho 2006 . Julho 2006 . Agosto 2006 . Setembro 2006 . Outubro 2006 . Novembro 2006 . Dezembro 2006 . Janeiro 2007 . Fevereiro 2007 . Março 2007 . Abril 2007 . Maio 2007 . Junho 2007 . Julho 2007 . Agosto 2007 . Setembro 2007 . Outubro 2007 . Novembro 2007 . Dezembro 2007 . Janeiro 2008 . Fevereiro 2008 . Março 2008 . Abril 2008 . Maio 2008 .
Leituras
abrupto . um amigo pop . ana de amsterdam . arrastão . avatares de um desejo
azeite&azia . bandeira ao vento . um blog sobre kleist . b-site
a causa foi modificada . como por acaso . confraria do atum . o crime de laio
da literatura . dias com árvores . estado civil . ex-ivan nunes . fotocafe
individualismo solidário . irmaolucia . jeff harris . lilás com gengibre . linha dos nodos
margens de erro . naked sniper . a natureza do mal . pastoral portuguesa . polaris
postsecret . renas e veados . solvstäg . sombras errantes . os tempos que correm
a terceira noite . valkirio . welcome to elsinore . yesterday man
   
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Creative Commons License