Quando verifiquei que a encomenda iria ser expedida via transportadora, neste caso a DHL, estremeci: tenho a pior impressão das transportadoras. Tanto quando me pude aperceber até hoje, as transportadoras servem basicamente o ego de quem envia -- enviar por transportadora tem um ar muito mais empresário internacional do que dizer que se mandou a secretária pôr as coisas no correio, que tem um ar bafiento, de senhora de bata azul que vai todos os dias às tantas horas à estação dos CTT com um molho de correspondência.
Passando aos aspectos práticos, as transportadoras são mais caras e mais demoradas que os CTT, se não estiver ninguém para receber a encomenda à hora a que o alto desígnio da transportadora decidiu (e que pode ser qualquer hora dentro do horário de expediente) tem que se telefonar a marcar uma nova hora, que eles, invariavelmente, não respeitam. Mais, têm uma tendência irritante para perder as encomendas.
No entanto, a absoluta falta de opções -- a única coisa pior que as transportadoras é o comércio tradicional português -- fez-me vencer o estremecimento inicial e encomendar a máquina à Pixmania.
Depois de uma demora não prevista (pelo menos por mim) na entrega à transportadora, lá passei a ter disponível o serviço de on-line tracking da encomenda, que me permitiu ficar a saber que a encomenda, depois de um curto mas aprazível passeio pela Europa, chegou a Lisboa no Sábado de manhã, de onde nunca mais saiu. “Intrigado” com a demora, resolvi começar as investigações.
Os resultados são tudo menos surpreendentes. “Uma máquina fotográfica? Sabe... Essas encomendas são muito atractivas e passam por muitas mãos nos nossos centros de distribuição... Sabe como é...” “Está-me a dizer que é costume os funcionários da DHL roubarem as encomendas?” “Eu não queria usar essa palavra, mas... Sabe como é...”
Sei pois. Só ficou por esclarecer se a palavra que ela não queria usar era “roubar” ou “costume”, mas tenho como certo que era a primeira.
E lá foi aberto o dossiê do costume e, poucos minutos depois, recebi um telefonema da DHL a informar-me que a encomenda nunca chegou a Lisboa. Perante o meu pasmo, agora sim autêntico (afinal está no sítio deles que foi registada a chegada da encomenda a Lisboa), foi-me explicado que o tracking da encomenda é feito pelo número do contentor em que ela, supostamente, vem. Só que este “supostamente” não é verificado -- o contentor em que a encomenda supostamente vinha chegou a Lisboa, mas ninguém verificou se a encomenda efectivamente vinha dentro do contentor, nem na partida, nem na chegada.
Profundo desconhecedor dos obscuros meandros do transporte de mercadorias, algo que me diz que esta minha má impressão acerca das transportadoras não é só fruto dos meus maus fígados. |