Continua. Tentei prestar alguma atenção àquela coisa a que têm chamado pomposamente “debate do orçamento”. Tenho-o seguido, sempre que posso, ao longo dos anos e sempre na TSF, enquanto faço outras coisas, úteis ou não, regra geral não. Agora já não consigo.
Como já “postei” há uns dias, estou doente, atacado de regressão linear. A regressão linear é uma doença que nos faz regredir em linha recta, que nos força a passar por tudo aquilo por que devíamos ter passado se o Grande Plano tivesse sido cumprido. Bem, tudo não, mas por tudo o que é possível reproduzir sem o envolvimento de partes móveis ou cartões de crédito. Uma vez por outra, lá passo por algo por que passei numa ocasião em que o meu percurso cruzou a linha recta pela qual não consegui progredir, mas pela qual agora regrido, e sinto-me em casa, seja lá o que isso for.
Curiosamente, não foi o caso ao ouvir aquela gente -- mas quem são eles? de onde vieram? -- a discutir umas coisas que manifestamente não me interessam. Nem consigo perceber do que falam, nem consigo interpretar os trejeitos e os acenos e não há história que me valha, independentemente do tamanho do H. E esta incapacidade, não para os perceber, mas para perceber a razão que me leva a não querer percebê-los, incomoda-me. Não quero saber dos meandros, não quero sequer imaginar as suas razões mais superficiais, enoja-me a existência de razões mais fundas. Quero coisas simples, planas, sem atrito, que não consigam ser mais do que são ao primeiro olhar -- que não valha a pena olhar mais que uma vez.
Sinto um cheiro de frivolidade e frutos tropicais a invadir o ar e não é do meu gel de banho. Será contagioso? Será crónico?
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