– Não rodopiaste debaixo das gambiarras que contaminam a cidade e as serras, não sorriste às criancinhas por entre as ondas do teu cachecol, não compraste castanhas serôdias na Baixa...
– Mas...
– Não te deixaste envolver pelas músicas, não te embriagaste nas imagens, não te excitaste demoradamente com a passagem do fresco por entre a roupa e o corpo, não te perdeste na expectativa saborosa do dia seguinte...
– Mas...
– Não quiseste a ilusão saudável dos dias e recusaste a doçura acrílica das noites, não abdicaste da tua nojenta consciência e quiseste despertá-la nos outros, não quiseste ajudar às novas rotinas e entristeceste-te com as tuas irregularidades...
– Mas...
– Mas o quê?
– Eu só queria comprar uma prenda para alguém de quem não gosto.
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