Cabia ao acordeonista Kimmo Pohjonen, acompanhado pelo acariciador de electrodomésticos Samuli Kosminen (dos Múm), a difícil tarefa de me encher as medidas. Eu já não ia a um concerto desde tempos imemoriais e não era qualquer coisinha, por mais simpática que fosse, que me iria satisfazer a fome.
Isto era a minha expecativa antes de entrar para o Teatro Académico Gil Vicente, quando tudo o que conhecia do finlandês maravilha eram os louvores exacerbados da crítica e um nome élfico que me tinha ficado na memória (mais ou menos). No fim do concerto, estava à beira da congestão: uma hora e meia de luxúria pagã, xamanística em certos momentos, uma hora e meia de viagem aos primórdios da criação. No fim do concerto, torrentes de lava escorriam da porta da sala e pela Sá da Bandeira abaixo. Só a luz da manhã poderá permitir uma avaliação dos estragos de que Coimbra jamais se recomporá. Mas Kimmo, completamente possuído, não pode ser responsabilizado: o acordeão faz dele o que quer e bem lhe apetece.
Magnífico.
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