E na sua caminhada imparável para o Futuro (com letra grande, já que o minúsculo não é, definitivamente, coisa que nos interesse), Portugal ganhou mais uma capital: Foz de Arouce, insigne freguesia do concelho da Lousã, autoproclamou-se Capital do Sarrabulho. O único local da aldeia que dá nome à freguesia onde as pessoas param quando vão a caminho de outro sítio qualquer, uns semáforos cuja existência se deve à triste largura da ponte sobre o Rio Arouce, ostenta agora um cartaz com o anúncio da ascensão e a referência a 4 ou 5 restaurantes onde, acreditamos nós, a especialidade culinária em questão é confeccionada com particular esmero.
Depois da guerra fratricida que opôs (opõe?) Miranda do Corvo, Capital da Chanfana, a Vila Nova de Poiares, Capital Universal da Chanfana, este sinal dado por Foz de Arouce leva-me a crer que esta tendência das capitais segue agora uma via marcadamente gastronómica, pelo menos na zona interior do Distrito de Coimbra. E neste caso a escolha do prato tradicional é curiosa, já que o gado que mais salta à vista de quem passa em Foz de Arouce são as vacas que, duas vezes por dia, obrigam ao corte do trânsito na estrada nacional que, como é costume das estradas nacionais, serve de rua central à aldeia, logo a seguir aos tais semáforos. São, por assim dizer, vacas que comutam entre casa e trabalho, o estábulo e o pasto que em virtude da ocidentalização do Pinhal Interior Norte já não se encontram lado a lado como nos tempos repousados da nossa doce memória campestre. Porcos, nunca vi e se não estou em erro o sarrabulho é mais porcos. Pode ser que os haja, mas como não têm precisão de pasto e, portanto, de deslocação, ninguém os vê, perdidos algures na imensidão sub-rural de Foz de Arouce.
Mas vendo bem as coisas, é absurda e tacanha a minha estranheza. Afinal, o prato tradicional português por excelência é o bacalhau, peixe que não quer nada com águas destas bandas. Importam os porcos de uma capital de outra coisa qualquer e pronto. Ou compram-nos no Continente. Ou.
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