Escatologia infantil
Estava a jantar uma mistura de beringelas e brócolos cozidos em água com pouco sal, o suficiente para poder ser apelidado de refeição, mas não o suficiente para me fazer rebentar quando em contacto com a barrigada de amendoins que comi durante a tarde. Garfada aqui, garfada ali, tudo com muita calma, tudo muito herbívoro, com a televisão à frente, como sempre. Subitamente, o anúncio de um novo brinquedo para oferecer às crianças no Natal: um cão que urina (no anúncio, urina para o pé de um senhor que tenta impor algum respeito a uma criança insuportável). Até aqui, nada de demasiado anormal. Há imensos bonecos, antropomórficos ou não, que se promovem na base das manifestações fisiológicas que simulam, desde defecar a fazer bolhas com a boca, passando por berros, choros e “urina”. Mas este tem uma particularidade interessante: bebe a água que, mais tarde, mijará, presumo que sem qualquer aditivação. Pelo que pude perceber do que vi (que é o que eles mostram), da boca do cão sai uma enorme língua vermelha de plástico que chupa água de uma tigela ou do que se lhe puser à frente. Mais tarde, não sei se com algum comando ou quando a natureza mandar, o boneco alça a perna e cá vai disto. Mesmo assim, ainda consegui acabar os brócolos. As beringelas, felizmente, já tinham ido todas.

Aguardo pacientemente o momento em que a perversidade descontrolada dos criativos ao serviço da indústria de brinquedos trará o apocalipse sob a forma de didactismo.
Ex-cursão
Pensava eu que tinha a vida ganha para os próximos tempos e ainda por cima sem ter que me dar a muito trabalho... Há dias, espalhei umas fotocópias pelo comércio tradicional das freguesias circundantes a anunciar a abertura de inscrições para uma excursão de um dia a Lisboa. O plano era simples e, aparentemente, sem falha possível. Por apenas €25, qualquer pessoa poderia ter transporte de ida e volta para o Chiado, em Lisboa, na próxima quinta-feira dia 2 de Dezembro, onde poderia intercalar as compras de Natal com pequenas incursões ao Tribunal da Boa Hora para acompanhar o espalhafato e contribuir com alguns insultos. Disposto a fornecer um serviço de qualidade, os tais €25 já incluíam um mapa detalhado da zona com as principais áreas comerciais assinaladas, um directório completo das lojas da Baixa de Lisboa, uma garrafa de litro e meio de vinho morangueiro, uma sande de mortadela e um cartaz em formato A3 com dizeres relativos ao processo Casa Pia (as opções eram “Carlos Cruz Porco Devias Ser Capado”, “Bibi Ádes Apodrecer Na Cadeia” e um terceiro com o tipo de linguagem que não entra neste blog).

A adesão estava a ser imensa e, a uma semana da excursão, já tinha recebido o dinheiro da inscrição de gente suficiente para encher 4 autocarros, que já estavam, entretanto, reservados, já tinha encomendado e pago adiantado o tinto em grandes quantidades e já tinha mais de 200 sandes espremidas no congelador à espera da hora do degelo, para não falar de que a maior parte dos cartazes já estava impressa (a maior parte das pessoas optou pelo que não posso reproduzir aqui).

Mas a sala do Tribunal da Boa Hora é apertadinha, coitadinhos dos advogadozinhos e dos magistradozinhos e dos arguidozinhos e do raiozinho que os parta a todos. E como a sala é apertadinha, coitadinhos, têm de transferir o julgamento para Monsanto, onde há mais confortozinho e mais segurançazinha e onde não há uma merda dum boteco onde o pessoal possa comer umas moelas enquanto as câmaras das televisões estão desligadas. Lojas onde se aviem as tralhas para dar no Natal, nem vê-las. Ou seja, agora está toda a gente a desistir da excursão e vou ter de devolver o dinheiro, grande parte dele já investido e sem retorno possível. Deve ser a isto que eles chamam justiça, aquela em quem todos eles juram, com ar sonso, ter confiança. Está lindo, este país, está.
Tempos modernos (versão sem juízos de valor explícitos)
Sou tão velho, tão velho, tão velho que ainda me lembro de:
- a televisão ser a preto e branco;
- haver mais que um canal de televisão;
- haver produtos com sabor a eles mesmos;
- ser mais importante que um SMS;
- o tabaco fazer menos mal que os tubos de escape;
- os ovos serem maus para o colesterol;
- o azeite ser mau para a saúde;
- o óleo ser bom para a saúde;
- a manteiga ser má para a saúde;
- a margarina ser boa para a saúde;
- ser preciso saber português para se ser jornalista;
- a 4ª classe se chamar 4ª classe;
- as crianças andarem de bicicleta;
- haver coisas com nomes curtos;
- haver programas nocturnos na rádio;
- saber a tabuada;
- a palavra “opção” ter plural;
- haver moedas de 10 escudos;
- não precisar de dinheiro para nada;
- não ser tudo crocante;
- não existir a palavra crocante;
- não haver trânsito;
- não ter de se pagar para estacionar;
- ter coisas analógicas;
- ninguém saber da existência do chá verde;
- os professores poderem bater nos alunos;
- beber água da torneira;
- as farmácias cheirarem bem;
- Portugal ser pobre;
- Portugal ser pobrezinho;
- Portugal ser remediado;
- o Herman José ter piada;
- os carros serem inseguros;
- não se poder levantar dinheiro ao fim-de-semana;
- gravar cassetes;
- não ter de sorrir porque estou a ser filmado.
Cartão vermelho
O movimento que aparentemente começou a ser lançado para que a sociedade civil se mobilize no sentido de exigir um mínimo de moralidade na administração da coisa pública e do combate à corrupção, corre o risco de ser morto à nascença pela fraca propensão que os portugueses e as portuguesas têm para a participação cívica. De nada servirão os apelos (coordenados?) de Maria José Morgado e Mário Soares enquanto as pessoas se recusarem a participar em mais que a agremiação pseudo-desportiva do bairro, e mesmo isso por inércia ou por terem a cerveja mais barata no pardieiro infecto que lhe serve de sede. A desculpa é sempre a mesma -- falta de tempo -- e razão também -- querem cá saber disso.

Se quanto a cá querem saber disso AGRAFO PONTO NET nada pode fazer, até porque não tem tempo, já quanto à desculpa esfarrapada da falta de tempo a situação não é a mesma. Temos esperança de que, destruindo a sua esfarrapada justificação mecânica, os portugueses e as portuguesas caiam em si (embora se esteja mesmo a ver que, com a destruição dessa justificação mecânica, os portugueses e as portuguesas irão simplesmente arranjar outra que seja mais difícil de desmontar) e passem a preocupar-se mais com aquelas coisas que não, não nos são nada distantes, por mais confortável que seja pensarmos que o são.

Assim, apresentamos-lhes hoje o exemplo de alguém perfeitamente normal, vulgar, médio, com os mesmos problemas, anseios e alegrias que qualquer outro ou outra de nós e que consegue gerir o seu tempo eficazmente, por forma a ter uma participação activa na nossa sociedade: a Dona Beneplácita. Vamos então seguir um Sábado da Dona Beneplácita, precisamente o dia da semana em que a sua associação cívica se reúne, para vermos como ela consegue conjugar essa reunião de 2 ou 3 horas ao fim da tarde com todos os afazeres de uma mulher que tem de conjugar a carreira com a família.

A Dona Beneplácita trabalha na secretaria do Centro de Saúde da sua área de residência. Naturalmente, o horário de trabalho é de segunda a sexta das 9 às 17.30, mas um esquema montado entre os vários colegas do serviço permite que uns passem os cartões de ponto uns pelos outros, abreviando assim em cerca de uma hora por dia o tempo efectivo de serviço. Mas, tal como todas as outras pessoas, há sempre imprevistos e neste Sábado a Dona Beneplácita terá de arranjar tempo, antes da ida ao hipermercado, para passar pela secretaria do Centro de Saúde. É que a vizinha do lado precisa de uma consulta para pedir um atestado médico por uma razão aleatória, e precisa dessa consulta na segunda de manhã bem cedo, porque a seguir tem hora no cabeleireiro. Como não se lembrou disto a tempo e horas, já não conseguiu a consulta senão para o princípio da tarde e veio pedir à Dona Beneplácita o favor de a passar à frente dos outros. Ela não gosta nada destas coisas, mas a boa relação entre vizinhos está acima de uma pequena areia na consciência, especialmente quando essa vizinha é a professora de quem poderá depender, para o ano que vem, a inclusão do filho da Dona Beneplácita na turma que a escola reserva para os filhos dos professores e seus amigos ou numa das outras turmas cheias daquela escumalha a quem não faz grande diferença chumbar.

Mais tarde, já regressada do hipermercado, onde não se esqueceu de pedir uma factura em nome da firma do marido para ele poder deduzir nos impostos, vai ter de ir falar com o primo que trabalha na polícia para este tirar a multa de estacionamento que lhe passaram na quinta-feira passada. É quase todas as semanas a mesma coisa: não há estacionamento legal senão a mais de 200 metros da ervanária onde a Dona Beneplácita se abastece semanalmente, não lhe restanto outra possibilidade para além da de ser multada. É atroz, a falta de sensibilidade das autoridades neste país, e quem não conheça alguém lá dentro é Friskies neste mundo cão.

Quem pensa que o dia da Dona Beneplácita se resume a isto, engana-se redondamente. O marido da Dona Beneplácita, como já se está mesmo a ver, não faz a ponta dum corno em casa e tem que ser ela a fazer tudo, desde as limpezas às refeições, especialmente desde o marido começou a ficar deprimido por causa da firma. Os negócios não vão bem e o braço direito dele, um funcionário que lá trabalhava há já 7 anos a recibo verde, despediu-se, o que só veio piorar a situação.

Mas a Dona Beneplácita ainda consegue fazer o almoço, aspirar a casa e só chegar ligeiramente atrasada com o filho à consulta no dentista. O puto, que felizmente não tem mais nenhum problema de saúde, está sempre no dentista. Uma ocupação a somar a todas as outras e, principalmente, uma despesa que só consegue ser suportada porque o Sr. Dr. tem a bondade de fazer as consultas mais baratas a troco de não passar recibo. Se não fosse isso, a Dona Beneplácita não sabe como seria. Teria de prescindir de algumas coisas, talvez até mesmo da TV Cabo. A TV Cabo! A Dona Beneplácita tinha-se esquecido da TV Cabo, cujo cartão falsificado do descodificador deixou de funcionar. Era só o que faltava: ainda vai ter de arranjar tempo para passar pelo biscateiro electrónico da sua área de residência para ver se lhe resolvem o problema.

Com todas estas voltas, a Dona Beneplácita só consegue estender as pernas por uma meia horita antes de ir para a reunião da sua associação cívica. Mas ela nunca falta e lá estará a tempo e horas. Ela não desiste. Ela quer um país mais moderno e mais justo. Ela quer um país onde os políticos sejam pessoas sérias e não somente esta corja imunda que vai para lá abotoar-se com o que é nosso. Ela deveria ser o nosso exemplo. O vosso exemplo. Tenham vergonha na cara.
Utilidade
Gostava de ir a Las Vegas e a Los Angeles. Melhor: gostava de ir passar uns dias a Las Vegas e, depois, atravessar o deserto do Mojave, onde largaria o cadáver escondido na mala do carro, a caminho de L.A. Aí, passaria mais alguns dias a estimular as hormonas com corpos de ginásio e cirurgia plástica correctiva. Enfim, sou uma personalidade deformada por séries televisivas norte-americanas e o melhor que tenho a fazer é viver com isso da forma mais saudável possível.

Pretendo ir no fim da próxima Primavera, permitindo-vos o tempo necessário a aforrar o suficiente para que, todos(as) juntos(as), me possam pagar as passagens e a estadia em regime de meia pensão. O dinheiro pode ser dado em cash (briefcase cheia de maços de verdinhas com numeração aleatória, óculos escuros, pronúncia primorosamente copiada dos Sopranos), cheque, transferência bancária ou porquinhos mealheiros. Desde já, o meu muito obrigado.
Solid state
Continua. Tentei prestar alguma atenção àquela coisa a que têm chamado pomposamente “debate do orçamento”. Tenho-o seguido, sempre que posso, ao longo dos anos e sempre na TSF, enquanto faço outras coisas, úteis ou não, regra geral não. Agora já não consigo.

Como já “postei” há uns dias, estou doente, atacado de regressão linear. A regressão linear é uma doença que nos faz regredir em linha recta, que nos força a passar por tudo aquilo por que devíamos ter passado se o Grande Plano tivesse sido cumprido. Bem, tudo não, mas por tudo o que é possível reproduzir sem o envolvimento de partes móveis ou cartões de crédito. Uma vez por outra, lá passo por algo por que passei numa ocasião em que o meu percurso cruzou a linha recta pela qual não consegui progredir, mas pela qual agora regrido, e sinto-me em casa, seja lá o que isso for.

Curiosamente, não foi o caso ao ouvir aquela gente -- mas quem são eles? de onde vieram? -- a discutir umas coisas que manifestamente não me interessam. Nem consigo perceber do que falam, nem consigo interpretar os trejeitos e os acenos e não há história que me valha, independentemente do tamanho do H. E esta incapacidade, não para os perceber, mas para perceber a razão que me leva a não querer percebê-los, incomoda-me. Não quero saber dos meandros, não quero sequer imaginar as suas razões mais superficiais, enoja-me a existência de razões mais fundas. Quero coisas simples, planas, sem atrito, que não consigam ser mais do que são ao primeiro olhar -- que não valha a pena olhar mais que uma vez.

Sinto um cheiro de frivolidade e frutos tropicais a invadir o ar e não é do meu gel de banho. Será contagioso? Será crónico?
Expresso do Ocidente (continuação)
Telefonaram da Pixmania para me dizerem que o produto será novamente enviado mal tenham da DHL a confirmação de que a encomenda não foi entregue. Segundo a senhora da Pixmania, nada disto é espantoso: desaparecem, em média, 2 máquinas por semana de entre todas as que eles expedem para Portugal (cujo número total desconheço) porque, e passo a citar, “os agentes da DHL as roubam”. Assim, agora sem medo das palavras.

Porquê usar uma transportadora em vez dos correios? Por que os correios franceses são complicados e é difícil de "agilizar" (como eu gosto deste verbo, especialmente na sua versão intransitiva). Porquê, então, esta transportadora? Por que mesmo assim é a melhor.

E eu que estava tão preocupado...
Expresso do Ocidente
Quando verifiquei que a encomenda iria ser expedida via transportadora, neste caso a DHL, estremeci: tenho a pior impressão das transportadoras. Tanto quando me pude aperceber até hoje, as transportadoras servem basicamente o ego de quem envia -- enviar por transportadora tem um ar muito mais empresário internacional do que dizer que se mandou a secretária pôr as coisas no correio, que tem um ar bafiento, de senhora de bata azul que vai todos os dias às tantas horas à estação dos CTT com um molho de correspondência.

Passando aos aspectos práticos, as transportadoras são mais caras e mais demoradas que os CTT, se não estiver ninguém para receber a encomenda à hora a que o alto desígnio da transportadora decidiu (e que pode ser qualquer hora dentro do horário de expediente) tem que se telefonar a marcar uma nova hora, que eles, invariavelmente, não respeitam. Mais, têm uma tendência irritante para perder as encomendas.

No entanto, a absoluta falta de opções -- a única coisa pior que as transportadoras é o comércio tradicional português -- fez-me vencer o estremecimento inicial e encomendar a máquina à Pixmania.

Depois de uma demora não prevista (pelo menos por mim) na entrega à transportadora, lá passei a ter disponível o serviço de on-line tracking da encomenda, que me permitiu ficar a saber que a encomenda, depois de um curto mas aprazível passeio pela Europa, chegou a Lisboa no Sábado de manhã, de onde nunca mais saiu. “Intrigado” com a demora, resolvi começar as investigações.

Os resultados são tudo menos surpreendentes. “Uma máquina fotográfica? Sabe... Essas encomendas são muito atractivas e passam por muitas mãos nos nossos centros de distribuição... Sabe como é...” “Está-me a dizer que é costume os funcionários da DHL roubarem as encomendas?” “Eu não queria usar essa palavra, mas... Sabe como é...”

Sei pois. Só ficou por esclarecer se a palavra que ela não queria usar era “roubar” ou “costume”, mas tenho como certo que era a primeira.

E lá foi aberto o dossiê do costume e, poucos minutos depois, recebi um telefonema da DHL a informar-me que a encomenda nunca chegou a Lisboa. Perante o meu pasmo, agora sim autêntico (afinal está no sítio deles que foi registada a chegada da encomenda a Lisboa), foi-me explicado que o tracking da encomenda é feito pelo número do contentor em que ela, supostamente, vem. Só que este “supostamente” não é verificado -- o contentor em que a encomenda supostamente vinha chegou a Lisboa, mas ninguém verificou se a encomenda efectivamente vinha dentro do contentor, nem na partida, nem na chegada.

Profundo desconhecedor dos obscuros meandros do transporte de mercadorias, algo que me diz que esta minha má impressão acerca das transportadoras não é só fruto dos meus maus fígados.
Regressão linear
Estou a ficar um bocado totó, nhenhé, não sei como lhe chame. Olho para estas coisas e nem as vejo, pareço um idealistazinho parvo com 17 anos, passe o duplo pleonasmo. Senilidade precoce ou pior ainda?

Ontem fiquei comovido quando as estatísticas do sítio me revelaram que pelo menos duas pessoas chegaram a este blog através de pesquisas em motores de busca subordinadas à expressão “Faze as malas” (do poema do Eng. Álvaro de Campos que lhe dá o nome e que está disponível no arquivo de Outubro). Comecei logo a pensar que ainda há esperança para o mundo e não sei quê. Credo. Devo mesmo estar a precisar de umas lambadas para activar a circulação. Por este andar, ainda acabo a fazer mapas astrais.

As minhas mais sinceras desculpas. O programa continua a qualquer momento.
Um milhão de portugueses
O Público, que ao Domingo não traz livros por mais 4,90, nem DVD por mais 8,90, nem reproduções de quadros por mais 9,90, nem 750 gramas de polvo limpo por mais 7,90, tem mais faits divers que o costume, pelo mesmo preço e igual número de gralhas e pontapés na gramática. Mas entre os faits divers todos, houve um que me chamou a atenção, com o seu indicador recurvo, sussurro cavernoso e uma verruga na ponta do nariz, como é costume dos faits divers que servem para excitar os preconceitos primários do leitor que, todo contente, fica subitamente com tema de conversa de café para mais 10 minutos.

Na página 42, secção “Pessoas e Jogos” (!), somos informados acerca do novíssimo e original projecto da duquesa de Northumberland, “um dos condados mais selvagens de Inglaterra”. E em que consiste esse projecto, aliás já em execução? Consiste num jardim, “muito particular”, onde estão cultivadas diversas drogas naturais como o “cânhamo indiano e várias plantas alucinogénicas”, às quais se juntarão em breve “tabaco e folhas de cocaína”. O objectivo é fazer um “museu de drogas ao natural”, que só poderá ser visitado na presença de um guarda e que irá “permitir que se fale do abuso de drogas”, já que “as drogas são uma grave preocupação social e provocam fortes emoções”, o que, dito desta maneira, fica um pouco estranho e dúbio, mas como vai com as aspas espero que se perceba que não tenho nada que ver com isso.

E uvas? Sim, uvas. E por que não só permitir a visita a lagares de vinho e a destilarias na presença de um guarda? Desconheço a realidade inglesa nesse aspecto, mas presumo que não seja melhor que a nossa, independentemente de estarmos a falar dos condados mais ou menos “selvagens”, mas vociferarei até que a voz me doa contra esta histeria beatífica e hipócrita que rodeia a questão das “drogas”, certo de que os meus protestos serão, um dia, olimpicamente ignorados.

Fumar cigarros à frente das crianças? Criminoso, pois está provado que tamanha irresponsabilidade propiciará o consumo do tabaco quando elas tiverem capacidade de iniciativa para o fazer. Fumar charros e similares ou injectar-se à frente das crianças dará direito (e bem) a algo aparentado com um linchamento público. Mas alguém se lembra de não beber à frente das crianças? Eu não, e não conheço ninguém que sim. Mas por que se há-de ter tão inusitado cuidado? Há livros de BD destinados à promoção da cultura do bom vinho cuja publicação é patrocinada por entidades públicas ou semi-públicas e temos a classe médica a mentir às pessoas, dizendo-lhes a frase “O vinho faz bem, consumido com moderação”, filha subtilmente ilegítima de um estribilho de outros tempos que hoje já só é proferido com um sorriso irónico nos lábios.

A classe médica a mentir é um exagero. Há os casos, que não são tão poucos como isso, de médicos que se atrevem a dizer que não é nada verdade que o vinho, mesmo consumido com moderação, faça bem à saúde. E não estão a dizer nada que qualquer pessoa com um mínimo de cultura geral e um cérebro funcional não “saiba” à partida, embora regra geral se escuse a “perceber”. Afirmar que fazer percorrer o tubo digestivo por um produto abrasivo que depois será absorvido pela corrente sanguínea, que o transportará ao longo de um extenso massacre de células nervosas, faz bem porque tem um efeito marginal e desejavelmente substituível na digestão e no desentupimento das veias é a mesma coisa que dizer que levar lambadas na cara faz bem porque activa a circulação -- quem dará a outra face? O caso é que os médicos que aproveitam uma aparição nos media para dizer que o vinho não faz bem, já não aparecem uma segunda vez. Vá-se lá saber porquê.

E assim continuamos a abanar a cabeça de escândalo perante uns milhares de drogados que, aparentemente, minam o progresso das nações ocidentais, enquanto os 10% de alcoólicos crónicos que constituem a nossa população continuam a matar e desfazer vidas na estrada e no recato do lar perante uma indiferença que, não vale a pena estar com paninhos quentes, é total. Longe de mim defender que se deve deixar de combater “a droga” (por mais que só a histeria colectiva perante as drogas estranhas impeça, neste momento, que esse combate tenha alguma espécie de eficácia) ou que se deve proibir o consumo das drogas autóctones (por mais que fosse de alguma decência parar de promover descaradamente o seu consumo junto de crianças que ainda nem ler sabem). Será um exagero querer que se ataque uma droga quando ela é um dos sustentos do país e uma das suas mais fortes marcas culturais, especialmente quando essa droga é bebida na igreja por quem manda no pedaço a nível global. Gostaria era que não fosse demais pedir alguma racionalidade, uma atitude construtiva, que as autoridades em geral e a classe médica em particular que não tentassem justificar o seu consumo de drogas legais com o argumento idiota de que faz bem à saúde e que acabasse este tentar esconder os nossos podres demonizando os podres dos outros, o que resulta invariavelmente na não resolução de podres nenhuns -- há dias em que acordo especialmente naïf. Mas é assim a beleza de se ser humano. Tchim tchim.
A floresta
A este, acho que vale mesmo a pena ir. Acho que vale bastante mais que a piada que tem. Para além da secção "gallery", deverão ir à "faq".

Não quero transformar isto numa colecção de links, mas há assuntos que é preferível comentar indirectamente.
A testemunha
Foi hoje que pude, finalmente, entrar numa sala de audiências de um tribunal. Um tribunal a sério, daqueles que o Estado tem a bondade de manter em funcionamento. Não era nada de complicado, sou apenas testemunha abonatória num daqueles processos patetas que entopem o sistema judicial português que, desta vez, e após duas tentativas falhadas há um ano atrás, ia ser ouvida.

Tudo decorreu com a maior informalidade, acrescentada por ter sido colega de escola do oficial de justiça e por conhecer várias outras testemunhas presentes. Após uma primeira chamada, foi tudo conduzido para a sala de espera, um espaço deprimente equipado com meia dúzia de cadeiras estofadas a napa e uma mesa cuja fôrmica castanha denunciava claramente uma tentativa muito pouco esforçada de imitar madeira. Tudo conversa, tudo ri, tudo comenta a perfeita absurdidade do processo, tudo diz que nem sabe o que tem para dizer acerca do assunto. A coisa boa é que este processo ainda só se arrasta há 3 anos, um grão de areia na praia judicial à luz das experiências de quem as tinha para contar.

E lá foram entrando as testemunhas que, muito ou pouco, tinham alguma coisa de concreto a dizer por terem tido, de alguma forma indirecta, uma relação pessoal com os acontecimentos em causa. A maior parte delas, à medida que ia saindo dirigia-se à sala de espera para comunicar aos que ainda aguardavam em que tinha consistido o falatório dentro da sala de audiências. Será esta possibilidade normal? Deve ser, num tribunal que, entretanto, estava já sem protecção policial e com a porta da sala de audiências escancarada para quem ali aparecesse e quisesse ver as vistas. Impediu-me de ver os outros testemunhar antes mim um pudor atávico, mas só isso.

Finalmente, lá chegou a minha vez, ditada não sei por que ordem. O tal oficial de justiça meu conhecido veio chamar-me ao corredor escuro e frio onde eu vagueava com o destino permitido pelas restrições de entrada exclusiva a funcionários e magistrados, dirigi-me à sala de audiências e entrei. Foi-me apontada uma cadeira virada para o juiz, com um microfone suportado num pé articulado que o deixava numa posição ameaçadora, irrepreensivelmente paralelo ao chão e apontado como uma arma à cabeça do ocupante da cadeira. Pensei que, se mentisse, um sistema automático dispararia o microfone abrindo-me um buraco na cara.

Mas eis que, no momento em que me preparava para me sentar, tentando descobrir uma forma de o fazer sem derrubar o microfone-míssil, o advogado de defesa comunica rapidamente ao juiz que prescinde de mais testemunhas. O juiz, automatizado por anos e anos de seca, não precisou de um segundo para me dizer, sem sequer olhar para mim: ”Está dispensado. Se quiser ir à sua vida, pode ir”.

Se quiser ir à minha vida posso ir? Assim? Devo agradecer? Mas quem é que lhe disse que eu tinha uma vida a que ir, queira ou não queira ir-me a ela? E é assim que se prescinde de uma testemunha? E os sentimentos das pessoas? E quer isto dizer que ainda não é desta que consigo ser uma testemunha a sério? E como posso consegui-lo? Tornando-me testemunha de Jeová?

Soltei um “bom dia” que se perdeu na indiferença da sala quase vazia e fui à tal minha vida, agora com bênção judicial. A mesa de fôrmica castanha também, provavelmente, se bem que para essa é tudo muito mais prático: só tem de ficar ali.
Todo o mundo habitável e o Canadá
Para rir. Em estrangeiro. Abre em nova janela, claro.
Certificado de admissibilidade
Não era sobre nada disto que eu ia escrever. Já nem me lembro bem sobre o que era, mas não era sobre nada disto. Mas caí na asneira de aproveitar um bocadinho de descanso para ler a entrevista de Álvaro Barreto.

Foi uma espécie de problema de consciência. Eu até já fui um rapaz que se interessava por estas coisa ou, pelo menos, tentava estar minimamente a par. Não que me visse naquilo ou que percebesse muito bem o que se estava a passar, mas sentia-me bem por estar informado e compreendia mal afirmações do género “não me interesso por política”. Era uma espécie de dever de cidadania, uma pessoa “interessar-se” por “política”. Ler o jornal, saber o que os gajos dizem, mandar uns bitaites e ter uma discussão ocasional sempre me pareceram comportamentos constitutivos de uma atitude saudável. Além do mais, há aquela coisa maravilhosa na “política” que é a capacidade para unir as pessoas independentemente das suas convicções futebolísticas.

Hoje já não sou assim. Boa parte do tempo auto-deportado para a Ciberia, de onde vos escrevo com esta irregularidade conhecida, é com uma lágrima de amargura (esta era mentira) que tenho de admitir que me estou profundamente nas tintas. Não me estou nas tintas para o geral, (ainda) não sou dos que dizem que aquilo é tudo a mesma merda, mas estar a par provoca-me uma certa descompensação e não tenho ansiolíticos para voltar a pôr tudo no sítio.

Achei que devia tentar. Para mais, era quase de graça, uma vez que não comprei o Corto Maltese por mais €4,90. Eu já devia saber que tudo o que não vem pelo preço do Público mais qualquer coisa não presta, mas caramba, não se pode aproveitar só os livros à quarta, os DVD à quinta, as reproduções de quadros à sexta, o Corto Maltese à segunda, os 750 gramas de polvo limpo à terça e usar o jornal só como embrulho. Sim, também serve para fazer as palavras cruzadas (já me chegam sempre feitas) e para outro passatempo ainda mais giro que é a caça à gralha, que só peca por ser demasiado fácil.

Então lá abri aquilo decidido a ver o que é que o homem tinha para dizer. Passados alguns minutos, não me restava senão concluir que o homem não tinha nada para dizer. Pergunto-me o que o terá levado a dar a entrevista. Terá sido obrigado a isso pelo agente artístico? Ainda por cima, a entrevista é uma parceira entre o Público, a RR e a Dois dois pontos. Será a nova estratégia do governo para calar a comunicação social encher os media de entrevistas para que não haja espaço para as notícias e comentários inconvenientes?

Bem, mas quem não leu a entrevista fica a saber que o Eng. Álvaro Barreto considera que “Hoje a comunicação social tem uma intervenção muito maior que há dez anos, e especialmente tem uma intervenção mediática”. De ser mentiroso ninguém o pode acusar. E como mesmo perante isto os jornalistas não se tocaram e continuaram a fazer perguntas, lá veio mais outra: acerca da utilização de medidas extraordinárias para cumprir a meta de 3% de défice orçamental, o Ministro dos Assuntos Económicos diz: “Admito que a solução não se possa eternizar”. Admite. Nalguma coisa havíamos de estar de acordo. Nisso e em não ter nada para dizer.

Agora desculpem lá, mas vou para cama que isto já não são horas e amanhã tenho mais que fazer. Admito... Sinceramente.
Colaboração
Esmagados pela crescente complexidade ou pela consciência da complexidade de uma realidade que não conseguimos abarcar... Parvoíce. Nunca conseguimos (pretérito perfeito), nunca conseguimos (presente), nunca conseguiremos (felizmente). O que lixa tudo é esta necessidade de planeamento que nos força a tentar abarcar cada vez mais. E quanto mais tentamos abarcar, compreender, mais a nossa incapacidade para o fazer se torna evidente.

Esmagados pela complexidade que nos treinámos a ver e à qual agora não sabemos o que fazer. A saída está, cada vez mais, em fazer de conta que a tal complexidade não existe, ou que não demos conta que existe, em tratar cada assunto como se não soubéssemos que não se pode tratar de um assunto. É impressão minha ou é esse o espírito do tempo? Fazemos cada vez mais isso, individual e colectivamente, ou sou eu que, por razões que talvez não queira explorar, o vejo cada vez mais? Ou é apenas uma consequência necessária da quantidade enquanto inimiga ancestral da qualidade e eu só estou aqui a perder o meu tempo com chavões?

Esmagado pela tal complexidade blá blá blá, se calhar estou a transformar-me num velho do Restelo, e ainda por cima daqueles velhos do Restelo que não têm casa no Restelo, que são os piores. O melhor será entrar num período de negação. Anos depois de uma passagem bastante mal sucedida pelo Movimento Dissociativo Juvenil, a negação pura e dura das realidades mais básicas e evidentes trará pelo menos a vantagem inédita de ter companhia com fartura. Lá para Dezembro começo, mas não sei quando acabo – talvez 5 minutos depois, talvez quando as conveniências permitirem que a máquina me seja desligada, quem sabe. Se me notarem (ainda) mais estranho, tenham a caridade de não dizer nada a ninguém. Especialmente a mim.
Via verde
A possibilidade que está prestes a ser dada aos portugueses de irem ao Centro de Saúde da sua área de residência mostrar a declaração de IRS para, depois, a conta dos cuidados de saúde ser calculada em função dos seus rendimentos abre uma janela de oportunidade. Mais uma vez, Portugal poderá ser inovador e abrir novos mundos ao mundo. Esta ida ao Centro de Saúde poderá ser rentabilizada se fizermos nascer a velha ideia, à espera de parto há demasiado tempo, de que a velocidade limite nas auto-estradas deveria ser diferenciada em função do veículo. Mais uma vez colocamos a questão tantas vezes repetida do debate na televisão à conversa de café: sabendo-se que é mais seguro um bom carro a 200 Km/h que um chaço a 120, será justo que o limite seja igual para toda a gente?

Tal como você, AGRAFO PONTO NET também acha que não e decidiu lançar uma campanha que fará de Portugal o primeiro país do mundo com limites de velocidade diferenciados -- não só em função do veículo, mas também do estado de saúde do condutor, dos anos de encartado, das condições meteorológicas e quaisquer outros factores relevantes para o caso. Quando esta nossa ideia, que sabemos partilhada por milhões de jovens a quem os pais deram uma bomba pelos 18 anos, for posta em prática, os cidadãos e cidadãs passarão a aproveitar a ida ao Centro de Saúde com efeitos parafiscais para, também, declararem que viatura conduzem e submeterem-se a um pequeno check-up. Do cruzamento das informações com outras, como o estado do tempo no momento de cada entrada na auto-estrada, sairá então o limite de velocidade a que cada um dos binómios condutor/veículo está obrigado e, já agora, quanto é que pagará nas portagens. Obviamente, esta medida obrigará a que todos sejam possuidores do sistema Via Verde, única forma de controlar tanta coisa em tempo real.

Para que todos percebam como funcionará o sistema, AGRAFO PONTO NET tem para lhes apresentar já de seguida uma simulação, para a qual contamos com a colaboração voluntária e graciosa de dois condutores que, como gente que vive o seu tempo, são capazes de se sujeitar a qualquer coisa para aparecerem, nem que seja num recôndito sítio na internet.

Temos então connosco o Sr. Arsénio Litro, 65 anos, carta há 42, salário mínimo; 11 dioptrias no olho direito, 9 no esquerdo, princípio de doença de Parkinson, taxa de alcoolemia permanente de pelo menos 0,3, mesmo sem ter bebido nada. O Sr. Arsénio conduz um Simca 180 de 1964 que já não terá qualquer possibilidade de passar nas inspecções daqui a 5 meses com um esqueleto de plástico pendurado junto ao vidro traseiro. Para este caso, as condições atmosféricas são chuva forte, vento com rajadas até 90 Km/h, possibilidade de granizo e uma nuvem tóxica.

Ao seu lado, está o Sr. Martim Hantunnes, 20 anos, carta há 2, mas conduz desde os 7 nas propriedades da família, que não apresenta rendimentos porque a única pessoa a ganhar para a casa é o pai que trafica droga e emigrantes a coberto de uma empresa fantasma de limpezas industriais, rendimentos que adorava declarar, mas não pode senão vai dentro -- é assim a justiça em Portugal! Uma saúde de ferro, mete-se nos esteróides anabolizantes à força toda, toma vários litros de bebidas isotónicas e iogurtes com pedaços por dia, só não foi para piloto-aviador da Força Aérea porque isso implicaria nunca mais mandar uns riscos com os amigos. O Sr. Hantunnes está a estrear um Mercedes 500 SLK kitado com 600 cavalos, 16 airbags, controlo de tracção, EPS, ABS, ADN, WMD, THC, HTTP, Ultra Retinol-A, Omega 3 Aloé Vera e um autocolante no pára-choques traseiro que diz “O meu outro carro é um papa-reformas”. Para este caso, as condições atmosféricas são: sol alto, temperatura amena e uma suave brisa perfumada com alfazema e alecrim.

Os dois preencherão agora as papeladas, submeter-se-ão ao check-up e, depois de um breve intervalo publicitário em que vários jogadores da selecção nacional de futebol promoverão o consumo de bebidas alcoólicas, de fast food de elevado valor calórico, de combustíveis fósseis e de produtos financeiros destinados a aumentar o endividamento das famílias, voltaremos para ver os resultados. Entretanto, lembre-se: não fume, pela sua saúde.

Ora então cá estamos de volta para saber, afinal, como vai ser a vida ao volante destes dois nossos colaboradores ocasionais. Ora aqui temos os resultados do Sr. Arsénio Litro: infelizmente para ele e para os donos da funerária de que o primo é sócio, o Sr. Arsénio Litro não poderá conduzir na auto-estrada, nem mesmo em contramão. Teria de utilizar apenas as outras estradas para ir a todo o lado, e dizemos teria porque o coração do Sr. Arsénio, que já não estava grande coisa, não aguentou esta horrível notícia e foi-se. Não percam, mais tarde, as imagens chocantes da sua morte comentadas passo a passo por um especialista que havemos de desencantar até à hora do Telejornal. Em compensação, o Sr. Hantunnes poderá circular à velocidade que bem entender, desde que subsónica para não partir os vidros das casas à beira da auto-estrada. Por razões óbvias, nenhum deles paga portagem.

E pronto, como vêem é fácil, prático e verdadeiramente inovador. Por hoje é tudo, obrigado.
início
Arquivo
Outubro 2004 . Novembro 2004 . Dezembro 2004 . Janeiro 2005 . Fevereiro 2005 . Março 2005 . Abril 2005 . Maio 2005 . Junho 2005 . Julho 2005 . Agosto 2005 . Setembro 2005 . Outubro 2005 . Novembro 2005 . Dezembro 2005 . Janeiro 2006 . Fevereiro 2006 . Março 2006 . Abril 2006 . Maio 2006 . Junho 2006 . Julho 2006 . Agosto 2006 . Setembro 2006 . Outubro 2006 . Novembro 2006 . Dezembro 2006 . Janeiro 2007 . Fevereiro 2007 . Março 2007 . Abril 2007 . Maio 2007 . Junho 2007 . Julho 2007 . Agosto 2007 . Setembro 2007 . Outubro 2007 . Novembro 2007 . Dezembro 2007 . Janeiro 2008 . Fevereiro 2008 . Março 2008 . Abril 2008 . Maio 2008 .
Leituras
abrupto . um amigo pop . ana de amsterdam . arrastão . avatares de um desejo
azeite&azia . bandeira ao vento . um blog sobre kleist . b-site
a causa foi modificada . como por acaso . confraria do atum . o crime de laio
da literatura . dias com árvores . estado civil . ex-ivan nunes . fotocafe
individualismo solidário . irmaolucia . jeff harris . lilás com gengibre . linha dos nodos
margens de erro . naked sniper . a natureza do mal . pastoral portuguesa . polaris
postsecret . renas e veados . solvstäg . sombras errantes . os tempos que correm
a terceira noite . valkirio . welcome to elsinore . yesterday man
   
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Creative Commons License