Por que é que as torneiras temporizadas (ou lá como se chamam aquelas carrapetas que, quando pressionadas, deitam água e que invadiram as casas de banho públicas num esforço meritório mas incómodo para poupar água) nunca estão calibradas para que saia água o tempo suficiente para um gajo lavar as mãos? Aquilo é calibrado como? Alguém fez um estudo do tempo médio que as pessoas demoram a lavar as mãos? Se sim, quer dizer que eu demoro mais tempo a lavar as mãos que a média? Se não, quais são os critérios? Haverá critérios? E por que é que o tempo não é igual para todas as torneiras/carrapetas, às vezes dentro da mesma casa de banho? Desregulam-se sozinhas ou foram montadas às três pancadas? E será que os gastos de água provocados por aquelas que se avariam e ficam a deitar água até ir um técnico resolver o problema (porque um utilizador comum que queira impedi-la de continuar a deitar água nada pode fazer) são compensados pela poupança geral motivada pela implementação daquele sistema (que linda frase)? Será aquele sistema tão mais barato que o das torneiras accionadas por uma bomba que se pressiona com o pé (torneiras de pedal?) que compense as vantagens óbvias deste último, quer em consumo, quer em comodidade, quer em higiene? E a mesma questão em relação àquelas torneiras accionadas por sensores electrónicos? E por que é que estas últimas têm sempre os sensores colocados de forma a que a torneira é activada quando as mãos não estão de baixo dela, obrigando as pessoas a lavar uma mão de cada vez o que, convenhamos, não é muito prático e eficaz?
Estas coisas é que não nos dizem. A estas perguntas é que ninguém nos responde. Estas verdades é que nos escondem. Com estas misérias é que nos torturam. Mas depois é a qualidade de vida e o bem-estar e a justiça fiscal e as políticas de emprego e o diabo a sete, a eutanásia, o aborto, a clonagem humana, a clonagem desumana, os casamentos homossexuais, heterossexuais, bissexuais, transexuais, metrossexuais, retrossexuais, a co-incineração, as tropas no Iraque, o défice, o défice, o défice, o défice, o défice, o défice. Disso e outras irrelevâncias quejandas não param de falar. Mas das torneiras, nem pio. Não sei onde é que isto vai parar.
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