Devo dizer que sou muito amigo de reflectir. Desde pequeno, sempre fui assim. Deve ser por isso que gosto tanto destes períodos de reflexão que há antes das eleições. Este ano, e muito provavelmente ao longo do próximo, estamos bem servidos, porque com tantas eleições e referendos o que não vai faltar são períodos de reflexão. Mas e depois? Quanto tempo vamos estar sem reflectir? Será que se considera que as pessoas só devem reflectir antes das eleições? Eu acho que não. Mais, também acho que os períodos de reflexão deveriam ser maiores: 24 horas não é suficiente. A reflexão é algo que, por vezes, deve ser feito de forma continuada, ao longo de algumas semanas ou mesmo meses, e não apenas um dia quando o calendário eleitoral calha a trazer-nos as felicidades -- esta e outras -- que lhe estão associadas. Portugal é um país com um défice de reflexão, individual e colectiva. No entanto, olho à minha volta, e que vejo eu para além das magnólias em flor? A despreocupação total, a leveza do costume. A maior parte das pessoas nem sequer se dá conta de que teve um dia reservado à reflexão. Num outro país, ou talvez num outro mundo, ter-se-ia discutido isto durante a campanha eleitoral, as pessoas exigiriam mais dias de reflexão, haveria até, quem sabe, quem reflectisse de forma organizada mesmo quando não fosse dia de o fazer. Infelizmente, está tudo demasiado preocupado com o empréstimo do T1+1 na Ranhoca de Baixo para se dedicar a este tipo de exigências, digamos, esotéricas. É o país que temos. |