“VLADIMIR: Ai, perdão!
ESTRAGON: Força.
VLADIMIR: Não não, por favor.
ESTRAGON: Não não, tu primeiro.
VLADIMIR: Interrompi-te
ESTRAGON: Pelo contrário.
Olham fixamente um para o outro, zangados.
VLADIMIR: Macaco de cerimónias!
ESTRAGON: Porco meticuloso!
VLADIMIR: Acaba a tua frase, já disse!
ESTRAGON: Acaba tu a tua!
Silêncio. Aproximam-se. Param.
VLADIMIR: Monga!
ESTRAGON: É isso mesmo, vamos insultar-nos.
Voltam-se, afastam-se, voltam-se de novo e olham um para o outro.
VLADIMIR: Monga!
ESTRAGON: Lorpa!
VLADIMIR: Aborto!
ESTRAGON: Besta!
VLADIMIR: Macaco!
ESTRAGON: Canalha!
VLADIMIR: Cretino!
ESTRAGON (para terminar): Crííí... tico!
VLADIMIR: Oh!”
Samuel Beckett, À Espera de Godot [excerto], trad. José Maria Vieira Mendes
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