Como já tive oportunidade de explicar aos mais ignaros e repito agora para os mais distraídos, as estatísticas de um sítio na uebe versam sobre os mais diversos assuntos, desde o número de acessos até às expressões que, utilizadas em motores de busca, trouxeram navegadores a esse sítio, ou os dados clínicos confidenciais de todos quantos a ele acedem (calma, esta última não era a sério). Os dados acerca das buscas são normalmente tão interessantes como intrigantes, pois se há expressões utilizadas em buscas que correspondem quase exactamente a passagens de texto neste sítio, tornando-se óbvia a razão pela qual o motor de busca apresentou o AGRAFO entre os resultados, outras há que eu não percebo. E agora perguntam-me vocês todos juntos: “E estás ralado com isso?” Ao que eu respondo todo junto: “Não, não estou.” O que me rala, por assim dizer, são as coisas que as pessoas procuram e não a razão pela qual a busca apontou para aqui.
Mas ao consultar as estatísticas do recém finado mês de Fevereiro de 2005, um esgar grotesco de pavor tomou conta do meu rosto. As estatísticas são omissas quanto a tudo o resto menos isto: alguém veio parar a este sítio, que eu mantenho com o suor do meu rosto, depois de ter feito uma busca por “caspa metafísica”. Mas que tipo de pessoa é que faz uma busca na net por “caspa metafísica”? Eu próprio também já fiz algumas buscas que não me atreveria a confessar às paredes (e algumas delas com resultados ainda mais inconfessáveis...), mas “caspa metafísica”? E quem quer que o tenha feito, fê-lo recentemente, algures durante estes últimos 28 dias. É alguém que, provavelmente, tem um aspecto perfeitamente anónimo, que anda por aí na rua, que está no meio de nós, com quem partilhamos a fila no supermercado. Quem sabe até se não será uma pessoa que, fascinada pela minha prosa melíflua e cativante, está neste preciso momento a ler estas palavras?
Confesso que estou um pouco assustado. |