Fomos capazes de inventar a roda, a máquina a vapor, o avião, o forno de micro-ondas, os satélites geostacionários, a bomba atómica, a internet, a pastilha elástica com sabor a frutos silvestres, o cinema, as drogas inteligentes e etc. Fomos capazes de criar uma transcendência tão boa que até precede e gera os seus próprios criadores, fomos capazes de ir à Lua e voltar, fomos capazes de impor as nossas vontades à natureza, fomos capazes de tornar todo o planeta comunicável numa questão de segundos e por aí fora. Mas ainda não fomos capazes de coligir o repertório completo dos evitamentos, dos olhares que não se cruzam, dos contactos físicos involuntários que têm de ser prolongados para uma banalidade fabricada na hora, em suma, de todas a formas de não dizer que era bom, mas (agora) é melhor não. O milagre da acumulação intergeracional de conhecimentos só chegou ao que não interessa e, enquanto não chegar, não passaremos de versões patéticas e sofisticadas de sardinhas. E é isso que nos vai valendo. |