O meu regresso a este assunto é, mais do que uma ameaça de obsessão na costa, o reflexo de um receio que se me está a colar. Vamos começar por fazer um ponto da situação.
Quanto a tabaco, está agora a fazer 3 semanas que não passa pelos meus sensuais e carnudos lábios um cigarro que seja. Penso em desistir todos os dias, mas estou-me a aguentar muito melhor do que alguma vez sonhei ser possível.
O café já lá vai há uns anos. Continuo a tomá-lo, mas num regime de consumo esporádico, ora motivado pela vontade, ora motivado pela necessidade de permanecer acordado. Costumo substituí-lo por doses insanas de chá verde, mas não todos os dias.
O álcool et al. nunca foram regulares ou frequentes, com a excepção de breves períodos bem delimitados historicamente, como aliás me parece natural e corriqueiro.
Embora continue a cometer asneiras alimentares de algum calibre (quem me tira um Big Mac de vez em quando tira-me a razão de viver), agora potenciadas, embora de forma ligeira, pelo abandono do tabaco, esforço-me por ter uma alimentação variada e rica em frutas e legumes. Deu-me Deus Nosso Senhor a graça que espero infinita de não morrer de amores por doces nem por comida salgada ou gordurosa, o que me facilita bastante a tarefa neste campo.
Continuo a nutrir carinhosamente uma aversão petulante e suburbano-depressiva (os anos 80 nunca largam completamente uma pessoa que lá tenha passado a sua adolescência problemática) por exercício físico enlatado, vulgo ir para o ginásio bombar x horas por semana, mas é raro o dia em que não faça uma hora ou mais a pé, pelo menos quando o Instituto de Meteorologia mo permite.
Coloca-se então uma pergunta que me engulha a voz e tolhe a cabeça dos dedos: estarei eu a tornar-me numa... “Pessoa saudável”? Eu sei que esse caminho é uma possibilidade, que está aí, que é fácil de seguir e isso preocupa-me, bem como a hipótese da via concomitante-saltitante rumo ao fascismo higiénico. A minha grande esperança reside na tolerância e respeito que tenho conseguido manter, mesmo nos momentos mais difíceis, para com aquelas pessoas que, prisioneiras das suas fraquezas, persistem em dedicar-se à prática do vício nojento e criminoso de fumar. Enquanto nem me passar pela cabeça a ideia de comprar uma Uzi no mercado ilegal de armas (que só recentemente as autoridades portuguesas deixaram de conseguir fingir que não existe) para sair à rua numa fúria justiceira e limpar o sebo a todos os porcos drogados que andam para aí de cigarro na mão a conspurcar o ar que nós, os seres humanos, respiramos, creio que não haverá razão para me preocupar. Mas permaneço alerta para o surgimento de quaisquer sinais de anti-tabagismo primário. Se há coisa que não se perdoa é a vulgaridade. |