Desde a primeira vez que o vi que soube que um dia alguém teria de tomar uma atitude. Sim, uma quantidade apreciável de mamarrachos também é necessária ao cosmopolitismo que alguém há-de querer para Lisboa sempre que umas eleições autárquicas se aproximam, mas há limites que foram ultrapassados. Falo, como já se está mesmo a ver, daquela pústula colocada na berma da maior via de distribuição do tráfego rodoviário de Lisboa e que dá pelo nome de Estádio Alvalade XXI, presentemente mais conhecido por dar abrigo a um igualmente lindo centro comercial de nome laxante e decoração vomitiva. Entendamo-nos: nada de especial me move contra o clube a quem aquilo serve de residência "desportiva", que até foi, nos velhos tempos infanto-juvenis em que eu ainda não tinha percebido que se pode viver sem ser adepto de um clube de futebol, o meu clube. O meu problema é mesmo com os direitos visuais dos cidadãos e cidadãs deste país (e de outros) que, sem que tenham cometido qualquer crime que justifique tal pena, são forçados a olhar para aquilo.
A solução, que ofereço livre de direitos a quem ganhar as próximas eleições autárquicas, passa, convenientemente, por transformar aquele que é o maior aborto estético de Lisboa numa obra de arte pública capaz de projectar o prestígio da nossa capitalzinha galáxia fora, coisa muito melhor que projectá-la Alvaláxia dentro. Pode não sair barato, mas até nem é complicado e tem sucesso mediático internacional assegurado: comissionar a Christo e Jeanne-Claude um dos seus famosos embrulhos, neste caso em material apropriado ao carácter permanente da obra. Alguém dê o recado ao Dr. Carrilho, se faz favor. |