Lisboa, 23 de Junho de 2051. Estou encostado ao corrimão da minha varanda no Príncipe Real a observar os movimentos tectónicos enquanto saboreio demoradamente um pacote de batatas fritas sem calorias e sabor a espetada mista com arroz de pimentos e, precisamente, batata frita. Graças a uma vida passada como cobaia bem paga da indústria bio-electrónica, ninguém me dá mais de 40 e o dinheiro chega e sobra para as despesas em software necessárias à manutenção futura de todo este bem-estar.
Pelo acima exposto, não se pode dizer que me esteja a sair mal, e só não assisto à concretização da utopia do progresso para a eternidade porque é da minha natureza saber há décadas, não a data, mas o local onde irei morrer, independentemente do local onde o meu corpo estiver na ocasião desse inevitável acontecimento. Não há muitos que tenham a mesma sorte. |