Maria do Carmo à caixa 9
A verdade é que já não se pode ser prestável. As pessoas abusam, pensam que somos delas, que podem fazer o que quiserem connosco. Tem uma pessoa um trabalhão a ver se agrada aos outros e depois a paga é o que se vê.

(Não tem os 23, não? 50 não, deixe estar.)

Não é que eu quisesse que me pagassem, que eu sou uma pessoa desinteressada, mas um bocadinho de consideração fica sempre bem. Isto de tratar os outros como se fossem criados diz muito acerca duma pessoa, ai diz, diz!

(Boa tarde, tem cartão Jumbo?)

Eu também já devia saber que ser prestável é nisto que dá. Nunca devemos estar demasiado disponíveis para as outras pessoas, senão abusam. Devemos dizer que estamos, mas depois, volta e meia não estamos. Isto de ver os outros com problemas e fazer das tripas coração para os ajudar não leva ninguém a lado nenhum.

(Esqueceram-se de marcar este... Desculpe lá. Maria do Carmo à caixa 9, Maria do Carmo à caixa 9)

É que depois, quando uma pessoa um dia não pode, tem os seus problemas para resolver, aí levam a mal, já não percebem que uma pessoa também tem a sua vida e que não pode andar sempre a levar os outros ao colo. Se uma pessoa tem um momento mais em baixo é logo que está diferente e que já não liga aos outros e o caraças.

(São 73 euros 49 cêntimos, pode marcar)

E se uma pessoa um dia precisa de alguma coisa é para esquecer. Quem está sempre disponível para os outros nunca tem ninguém disponível para si. Já faz parte, é sempre a mesma coisa, eu estou ali é para fazer favores, não é para que mos façam a mim!

(Desculpe a demora e bom fim-de-semana. Olhe este saquinho! De nada...)

Isto é tudo gente muito moderna, muito desempoeirada, muito sofisticada, mas a verdade verdadinha é que respeito respeitinho só nos têm se lhes dermos uma boa dose de indiferença ou um bom par de lambadas nas trombas de vez em quando! Essa é que é essa. Óuó.
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