Ao longo de muitos anos dedicámo-nos a substituir uma floresta que, segundo consta, era bonita e variada por mata monótona de lucro fácil composta por pinheiro bravo ao molho e, numa fase mais recente, eucalipto aos montes. Agora que volta o ano e arde tudo sem parança nem surpresa, para onde nos viramos em busca das culpas e da salvação? Para o céu. Nós temos esta coisa, esta fixação com o céu, ou, dito de outra forma, com a desresponsabilização que nos é dada pelo inacessível. Se noutros tempos era a divindades mistas vindas "lá de cima" que cabiam as responsabilidades e soluções pelo desgoverno que semeávamos pela terra, hoje, graças à fabulosa disseminação da cultura científica, esse papel cabe à meteorologia e a meia dúzia de aviões alugados à Polónia. Deve ser isto o tal progresso de que se fala. |