Paris, 22 de Junho de 2027. Estou encostado à janela do quarto na minha mansarda na Île de Saint Louis a observar os movimentos artísticos enquanto saboreio demoradamente um iogurte cremoso, probiótico, simbiótico, com bifidus activo, l. casei imunitass e aroma de pescada cozida em água de coentros. Graças a uma vida passada como cobaia bem paga de um centro de investigação biomédica, ninguém me dá mais de 30 e o dinheiro chega e sobra para as despesas em prostética necessárias à manutenção futura de todo este bem-estar.
Pelo acima exposto, não se pode dizer que me esteja a sair mal, e só não assisto à concretização da utopia do regresso a uma paz uterina porque é da natureza dos danos o serem irreparáveis. E irreversíveis. E por aí fora. Mas o passar dos anos e as drogas certas ensinaram-me a não pensar demasiado nisso. |