Voltou a acontecer com insistência. Por exemplo, no momento em que mexo um braço, um movimento detectado pelo canto do olho chama-me a atenção num quase susto: era a sombra desse meu braço. Noutro exemplo, enquanto vou a andar, uma mudança rápida de luminosidade numa janela fechada põe-me alerta: era o reflexo das minhas pernas.
Já não é a primeira vez que tenho uma época disto. É como se houvesse uma incapacidade temporária de ligar o meu corpo às suas sombras e reflexos, ligação que normalmente acontece automaticamente, por concomitância entre o meu movimento e o efeito produzido. Isto é coisa deste tempo. Desconfio que é da conjugação do calor com a lua nos arredores de nova com a aproximação do solstício de Verão.
(Os recursos a que me leva o desespero de querer provar que a minha cabeça ainda é o que nunca foi.) |