Tequilla Sunrise
Digamos que ela sabia perfeitamente que aquela perna não pertencia à mesa. Digamos que ter o marido ao lado ainda tornava a situação mais excitante. Digamos que deve ter esperado por alguma espécie de feedback nos dias subsequentes. Digamos que se deve ter sentido vexada com a indiferença a que o empernanço "acidental" foi votado. Digamos que ficou furiosa mas não o pôde demonstrar abertamente. Digamos que negaria sempre se confrontada com o seu acto digamos infame. Digamos que agora te vai fazer a vida negra por despeito. Digamos que tu agora não podes fazer nada senão aturar de boca fechada e esperar que lhe passe. Digamos que não é muito provável que lhe passe tão cedo. Digamos que mais indiferença é a única arma que te resta. Digamos que mais indiferença só a fará ficar ainda mais furiosa. Digamos que por medo que abras o bico te vai começar a difamar. Digamos que ela a estas horas já aprendeu a anular desconforto com o seu acto através de acreditar verdadeiramente no seu peculiar lado da história. Digamos que o empernanço ainda vai ser contado a uma data de gente que te conhece como tendo sido ao contrário. Digamos que ainda vais ficar muito mal visto no meio desta história toda. Digamos que teres estado silencioso acerca do assunto vai ter todo o ar de assunção de culpa. Digamos que teres dito alguma coisa acerca do assunto teria tido todo o ar de má-língua gratuita. Digamos que a estas horas já estás mais que arrependido de não teres posto os cornos ao teu amigo. Digamos que se soubesses o que sabes hoje tinhas posto os cornos ao teu amigo. Digamos que os cônjuges traidores acabam quase sempre contristados a contar tudo aos cônjuges traídos. Digamos que os cônjuges traidores acabam quase sempre perdoados por conveniência de digamos administração do quotidiano dos cônjuges traídos. Digamos que ainda terias acabado a levar nas trombas e com razão. Digamos que agora já estás a perceber. Digamos que não hás-de ter a lata de dizer que ninguém te avisou. Digamos que teres sido avisado não te serviu de muito. Digamos que és um bocado bronco.

(Digamos que por aqui se glosa livremente a Educação Sentimental)
início
Arquivo
Outubro 2004 . Novembro 2004 . Dezembro 2004 . Janeiro 2005 . Fevereiro 2005 . Março 2005 . Abril 2005 . Maio 2005 . Junho 2005 . Julho 2005 . Agosto 2005 . Setembro 2005 . Outubro 2005 . Novembro 2005 . Dezembro 2005 . Janeiro 2006 . Fevereiro 2006 . Março 2006 . Abril 2006 . Maio 2006 . Junho 2006 . Julho 2006 . Agosto 2006 . Setembro 2006 . Outubro 2006 . Novembro 2006 . Dezembro 2006 . Janeiro 2007 . Fevereiro 2007 . Março 2007 . Abril 2007 . Maio 2007 . Junho 2007 . Julho 2007 . Agosto 2007 . Setembro 2007 . Outubro 2007 . Novembro 2007 . Dezembro 2007 . Janeiro 2008 . Fevereiro 2008 . Março 2008 . Abril 2008 . Maio 2008 . Junho 2008 . Julho 2008 .
Leituras
abrupto . um amigo pop . ana de amsterdam . arrastão . avatares de um desejo
azeite&azia . um blog sobre kleist . b-site . a causa foi modificada . como por acaso
confraria do atum . o crime de laio . da literatura . dias com árvores . estado civil
ex-ivan nunes
. fotocafe . individualismo solidário . irmaolucia . jeff harris
lilás com gengibre . linha dos nodos . margens de erro . naked sniper
a natureza do mal
. pastoral portuguesa . polaris . postsecret . renas e veados
solvstäg . sombras errantes . os tempos que correm . a terceira noite . valkirio
welcome to elsinore . yesterday man
   
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Creative Commons License