Que as pessoas não perceberam. Não que as pessoas sejam burras – antes pelo contrário, são sensatas, serenas, sábias. As medidas é que não foram bem explicadas. E que para a próxima tem de haver maior cuidado com as explicações. Senão as pessoas não percebem. Aquilo que já passou, não vale a pena explicar bem. O que lá vai, lá vai, águas passadas não movem moinhos e tempo é dinheiro valioso dos contribuintes que, de resto, têm mais que fazer que ouvir explicações. Mas para próxima vai ser diferente.
(Este hábito velho de nos trocarem a esperança de um momento da verdade pela promessa nunca cumprida de um momento da explicação é só mais uma das metástases do milagre português. Ele é o milagre espanhol para aqui, o milagre irlandês para ali, mas do nosso, de conseguirmos andar ruidosamente às voltas no ralo sem nunca escorrermos definitivamente para o esgoto, desse ninguém fala.) |