Meu caro e bom amigo, como é empolgante a sua irreverência e arrebatadora a sua imaturidade. Não me leve a mal, não me leia como a um geronte presunçoso e, acima de tudo, não me pense a menosprezá-lo. Antes pelo contrário! Faça uso da ironia por que todos nós tão bem o conhecemos e verá nas minhas palavras não mais que incapacidade para conter uma inveja fina que por vezes me assalta. Mas como eu ia dizendo, meu honesto e luminoso companheiro de viagens, o que de melhor posso dar como resposta à sua última carta é garantir-lhe que você, um dia ou uma noite, concluirá que o grande problema entre nós é sempre o sentido, e nunca por nunca a falta dele. |