Diogo, eu sei que andas muito ocupado, mas assim não pode ser. Como também sei que continuas a ser um entusiasta deste blog e como desde que foste para os Negócios Estrangeiros que deixaste de atender o telefone, não me deixas a mim outra alternativa senão a de utilizar este espaço, porventura demasiado arejado, para te dizer que hoje foste um bocado bruto. Então não é que disseste, lá pelo meio do blá blá blá do costume para os jornalistas do costume com as perguntas idiotas do costume que estes atentados aconteciam, na pior das hipóteses, de ano a ano e que a prová-lo estavam as ocorrências em Nova Iorque (2001), Madrid (2004) e, agora, Londres? Então e Istambul? E aquele resort no Quénia? E Báli, onde até morreu um português, ainda por cima militar no gozo das suas merecidas férias, mais uma data de australianos branquinhos como a cal?
Eu percebo que te esqueças destas coisas, especialmente quando a maior preocupação é acalmar a populaça de cá. Eu percebo que as gentes dessas terras bárbaras não nos venham tanto à memória como o pessoal mais, como direi, do Atlântico Norte. Mas também foram pelos ares por uma guerra que não é deles, ai pois foram, e mesmo que lembrá-los não os traga a uma vida que manifestamente não nos interessa para nada, a pura e simples obliteração dos atentados que os levaram também não nos fica bem. E muito menos a um rapaz sério e às direitas (no pun intended) como tu sempre foste, pesem embora os pecados que sempre desfeiam o caminho de um animal político. Vê lá isso, pá, tem um bocado mais de cuidado com essas bojardas e manda um abraço à Maria, que já não a vejo há tanto tempo. |