Considerai-vos agrafados/as
O Agrafo sabe que as suas aparições são sempre motivo de algum pânico. Justificado: o Agrafo só costuma dignar-se a conviver com as multidões quando assume como sua a missão de lhes apontar impiedosamente a inefável estultícia que sempre as caracteriza. Mas o Agrafo, na solidão lendária a que se remeteu por horror aos néscios, não ocupa o seu tempo exclusivamente com a anotação meticulosa da merda que permanentemente fazeis para um dia mais tarde vo-la esfregar no focinho. Não. O Agrafo também se dedica, entre outros porventura inconfessáveis, aos prazeres tão humanos da navegação electrónica. E hoje, excepcionalmente, o Agrafo deseja partilhar convosco algumas coisas belas e/ou engraçadas e/ou giras que foi descobrindo nos últimos tempos e que, julga o Agrafo sem grande convicção, talvez possam fazer algo pelo preenchimento dos vossos espíritos inanes. Temos, assim:

um refúgio para sobrevoar o esquecimento, que o Agrafo também considera, paradoxalmente, um bom refúgio para sobrevoar alguma memória;

o José Bandeira, não contente com o domínio da pena para vários fins, a dizer-nos amavelmente do seu apreço, que o Agrafo partilha comovido, pelas plantas, pelas fotografias e pelas estas daquelas;

um sítio verdadeiramente explosivo, trazido à superior apreciação do Agrafo pela sempre cortês e sapiente via da Linha dos nodos;

uma data de coisas boas para ir lendo aos bocadinhos ou aos bocadões sujeitas ao rigoroso escrutínio do Agrafo pelo sempre esclarecedor Casmurro e que, diz o Agrafo, também deveria haver deste lado do Atlântico;

o limiar do pretensiosismo, mas de que o Agrafo gostou muito por razões que o próprio não sabe nem estaria disposto a explicar caso soubesse, por mais que incorra no risco de ser injuriado pelas bocas e penas mais frívolas.
E, agora que já utilizou advérbios para duas ou três semanas, o Agrafo retira-se. Ide, ide lá às vossas vidinhas horrorosas.
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