— Quanto tempo para o contacto visual, grumete? — Se todas as condições se mantiverem, faltam 5 minutos, 2 segundos e 45 centésimos até a outra nave sair detrás daquele asteróide não identificado, meu comandante. — Muito bem, grumete, diga-me tudo o que sabe. — Sim, meu comandante. Trata-se de uma nave de médio porte, aparentemente desprovida de armamento, construção recente, perfeitamente autónoma e capaz de missões de longo curso. Não pareceu ter ficado intimidada com a nossa aproximação, mas só respondeu às nossas tentativas de contacto áudio com gemidos. — Então por que raio é que se escondeu atrás do asteróide? — Parece-nos que é provocação, meu comandante. — Como assim, grumete? — Meneou-se um bocadinho e lançou uns foguetes coloridos, meu comandante. — Quer rebaldaria, portanto. — Assim parece, meu comandante. Mas... — Sim, grumete? — Meu comandante... O asteróide... — O asteróide o quê, grumete? — O... O asteróide começou subitamente a mover-se, parece que está a tentar impedir-nos de atingir contacto visual com a outra nave... — Todos aos seus postos! Accionar o alerta vermelho! Armar os torpedos! É uma cilada! Grumete, compare uma imagem de alta definição do asteróide com o Cadastro Oficial de Objectos Espaciais e Similares da Coligação Astral! — Sim, meu comandante, já está. — Algum resultado? — Está a chegar, meu comandante, parece que... — Sim?! — Foda-se, meu comandante. — GRUMETE! Mas que raio de linguagem vem a ser essa?! Mas onde julga que está?! Como se atreve a utilizar esses termos na minha presença?! — Desculpe, meu comandante, mas é que... — O quê, grumete, explique-se! — Não é um asteróide, meu comandante... É o Miguel Sousa Tavares disfarçado de calhau. — Ora, era só o que nos faltava! Esse empata... empata... — Fodas, meu comandante. — Isso mesmo, grumete, isso mesmo. |