O Interior. O Interior é aquele sítio que deve estar bem irrigado de rodovias para que os cidadãos, que são quem vive nas cidades, lá possa ir ao fim-de-semana comprar chouriças e travessas cancerígenas de barro vidrado. O Exterior. O Exterior é aquele espaço-tempo-feixe-de-luz-que-nos-alumia para onde todos nós queremos fugir pelas rodovias irrigatórias supra quando somos obrigados a permanecer mais que umas horas no Interior bem irrigado de rodovias supra.* O Portugal profundo. O Portugal profundo não é o Portugal do Jornal de Letras, é o Portugal que está lá no fundo e que costuma rimar com o interior supra. A ele se opõe semântica, espacial e temporalmente o Portugal Superficial. O Portugal Superficial. O Portugal Superficial não é o Portugal da Caras, mas o Portugal que está à tona enquanto der e que, salvo excepções desconhecidas até a data, fica no exterior supra.
* Capturados pelos acontecimentos n'O Interior mal irrigado, não nos restará senão uma certa morte infra-humana. Só nesse momento, em que já é tarde de mais, nos apercebemos de quão importante é a estatística para a prossecução dos nossos objectivos enquanto seres iluminados. A este respeito, ler qualquer coisa que não custe muito (N. do E.). |