O Inspector Rousseau compreende que não deve ter sido agradável arrancar os dentes de um suspeito da mesa da sala de interrogatórios após uma pequena sessão de perguntas e respostas – era uma boa mesa, cara, mandada vir de fora. Deve ter custado um dinheirão aos desvalidos cofres do Estado. O que ele já não pode aceitar é que, por esse facto menor numa carreira longa e impoluta, o tenham mandado a uma consulta de avaliação psicológica. E muito menos admite que, para esse efeito, o tenham largado há um bom par de horas numa sala de espera feia, monocromática e sem luz natural ou rede de telemóvel. Talvez a própria espera seja um teste, pensa, e por isso resiste a voltar à recepção para perguntar se se esqueceram dele. Entretanto, resta-lhe ir colando as páginas das revistas que povoam a mesinha de café com macacos do nariz. |