O bilhete que deixou entalado no espelho da casa de banho não foi tão conclusivo como o acto que se lhe seguiu. Há quem garanta que o motivo foi a distância crescente entre ele e os louros da indústria em que se refugiou e que aprendeu a amar. Há quem diga mas não garanta que foi de não conseguir sair do mesmo sítio por mais que se mexesse. Há ainda quem guarde um silêncio que remete para aquele momento fundador que toda a gente conhece de ouvir falar mas de que ninguém fala porque não estava lá. Há quem diga que foi simplesmente por causa das dívidas. A única coisa em que todos são unânimes é no desejo de que o segredo se mantenha para sempre.
Diane Arbus, Albino Sword Swallower at a carnival, Md. 1970