Falava e agia como se não soubesse que é na dádiva que viaja o egoísmo mais criminoso, como se desconhecesse que só raramente evitamos cometer os crimes de que fomos vítimas. Sabia-se à partida desculpado porque era aquela a sua forma de tornar o Verão eterno e porque as opções eram conhecidas e aceites por todos: haveria o que lembrar mas não quem se atrevesse a fazê-lo ou, mais uma vez, não haveria o que esquecer.
David Hockney, Peter Getting Out of Nick's Pool, acrílico sobre tela, 1967