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1888
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O abade gostava do progresso... Achava até necessário o progresso. Mas parecia-lhe que se queria fazer tudo à lufa-lufa... O País não estava para essas invenções; o que precisavam era boas estradinhas... – E economia! – disse o Vilaça, puxando para si os pimentões.
[Eça de Queiroz, Os Maias] |
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Summertime 02
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O bilhete que deixou entalado no espelho da casa de banho não foi tão conclusivo como o acto que se lhe seguiu. Há quem garanta que o motivo foi a distância crescente entre ele e os louros da indústria em que se refugiou e que aprendeu a amar. Há quem diga mas não garanta que foi de não conseguir sair do mesmo sítio por mais que se mexesse. Há ainda quem guarde um silêncio que remete para aquele momento fundador que toda a gente conhece de ouvir falar mas de que ninguém fala porque não estava lá. Há quem diga que foi simplesmente por causa das dívidas. A única coisa em que todos são unânimes é no desejo de que o segredo se mantenha para sempre. Diane Arbus, Albino Sword Swallower at a carnival, Md. 1970
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Sinais dos tempos (um exercício de futurologia autobiográfica)
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O meu livro de memórias já tem título escolhido: Cartão de Contribuinte. Uma vez que o lançamento está previsto para não menos que daqui a 30 anos, as hipóteses Cartão de Beneficiário da Segurança Social e Cartão de Utente do Serviço Nacional de Saúde foram excluídas por razões que se prendem com a mais que previsível obsolescência das realidades a que se referem. |
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Coisas da vida (no sentido vegetativo do termo)
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Não faço ideia de quanto ganha um vereador, nem me interessa: pagar seja o que for a um assim é, seguramente, lesivo dos interesses do país. |
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O Inspector Rousseau e as finanças públicas
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O Inspector Rousseau compreende que não deve ter sido agradável arrancar os dentes de um suspeito da mesa da sala de interrogatórios após uma pequena sessão de perguntas e respostas – era uma boa mesa, cara, mandada vir de fora. Deve ter custado um dinheirão aos desvalidos cofres do Estado. O que ele já não pode aceitar é que, por esse facto menor numa carreira longa e impoluta, o tenham mandado a uma consulta de avaliação psicológica. E muito menos admite que, para esse efeito, o tenham largado há um bom par de horas numa sala de espera feia, monocromática e sem luz natural ou rede de telemóvel. Talvez a própria espera seja um teste, pensa, e por isso resiste a voltar à recepção para perguntar se se esqueceram dele. Entretanto, resta-lhe ir colando as páginas das revistas que povoam a mesinha de café com macacos do nariz. |
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Utopia / War on Xmas
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 Daniel Clowes, David Boring
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A vida ginasticada
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O facto — e que ninguém se atreva a discutir a objectividade desta afirmação — de 181 centímetros serem uma boa altura mas não um bom diâmetro, deu-me, para já, direito a ser o alvo indefeso da Frase Televendas e Afins da Semana:
«Olá, o meu nome é Orlando* e sou uma das pessoas que podem ajudá-lo.»
* A resposta poderia ter sido: «Olá, o teu nome é tão apropriado para um personal trainer que até parece mentira.» Mas não foi. |
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Selecta de Solstícios Portugueses (em jeito de dedicatória)
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 (Há fases que são como frases que valem mais pelo asterisco no fim que pela maiúscula no início)
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Tristeza
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O estranho interesse que o anúncio da saída de Alegre da minha lista de votáveis despertou, mesmo em pessoas que não imaginavam quais as minhas possibilidades de voto, dá-me alento para uma justificação mais longa.
Eu nunca tive grande impressão de Alegre enquanto político (e, quanto ao mais, desconheço quase totalmente a sua obra literária), que sempre me pareceu o exemplo perfeito do tribuno-balão: um exterior muito inchado, um interior cheio de ar. Aquela pose, o permanente auto-enaltecimento enquanto monumento maior da nação à conquista da Liberdade, o bafio de algumas posições escandalosamente reaccionárias, a rica prosápia em que se cristalizou aquilo que poderia ter sido um pensamento, tudo isto sempre me irritou solenemente (como não poderia deixar de ser...). Resumindo, sempre tive de Alegre a ideia de alguém com muito para falar, mas muito pouco para dizer.
Por alguns dias (semanas, concedo) pensei que talvez me tivesse enganado. E muito embora fosse evidente, e de certa forma assumido, que o principal impulso para a candidatura de Alegre fosse uma birra, fiquei com a ideia de que ali moraria mais alguma coisa. Wishful thinking perante o triste cenário que se me apresenta? Ingenuidade? Simples estupidez? É indiferente. Não demorei muito a perceber que o conceito de cidadania, coluna vertebral da candidatura de Alegre à Presidência da República, se esgota no apoio a essa mesma candidatura. Ser proponente de Alegre é um acto de cidadania. Fazer campanha por Alegre é um acto de cidadania. Votar em Alegre é um acto de cidadania. Porque Alegre não é apoiado por nenhum partido (embora quisesse sê-lo, mas isso é aquele passado que não interessa). E pronto, é tudo. Não, por acaso há mais: Alegre também não se coibiu de repetir o número gasto e patético da transformação das críticas à sua magnífica pessoa em actos de intimidação, estratagema triste para esconder uma incapacidade preocupante em justificar as contradições (algumas delas graves) entre suas posições enquanto candidato e as suas posições enquanto deputado vitalício. Como ao longo de muitos e maus anos, e passado que está o momento da birra e dos lindos textos de apresentação ao eleitorado, Alegre confirma esgotar-se na retórica de uma resistência que devia já ser outra.
Ou seja, a minha opinião acerca de Alegre voltou a ser a que era depois de um breve intervalo em que me entretive a pensar que se calhar havia alguém em que valeria mesmo a pena votar. Neste momento, é para mim certo que acabarei por votar contrariado em alguém que não merece o meu voto para não ficar com o peso na consciência de ter contribuído, ainda que por omissão, para a vitória da suprema desonestidade intelectual cavaquista. Fá-lo-ei, ainda assim, em alguém com um mínimo de conteúdo político, que tenha algo a apresentar para além do seu próprio ego. Na verdade, não interessa muito em quem recairá a escolha, até porque desejo sinceramente que o eleitorado tenha a indecência de dar a vitória a Cavaco logo à primeira volta, poupando-me assim à provação da angústia por mais que o tempo que a lei consagra como estritamente necessário para o efeito. |
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Spleen & ideal
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Longe de onde nunca conseguiria atingir a sua tão almejada quanto assustadora perfeição, o Doutor Spleen vive. Ele é o nosso pesadelo ou somos nós o pesadelo dele? |
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Modernização da Administração Pública
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Eu nunca percebo as cartas da Segurança Social. Atrevo-me a pensar que o problema não é meu porque percebo as outras cartas todas, sejam elas quais forem e de onde forem. Mas com as da Segurança Social acontece sempre o mesmo: tenho de me dirigir aos «serviços» para ser elucidado, porque a leitura das cartas deixa-me exactamente na mesma. Creio que seria mais prático e económico substituirem todos os modelos de cartas por um único bilhete com os dizeres «Venha cá». |
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Listmania
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A pedido de várias famílias, eis, finalmente, a lista das melhores frases de busca que, ao longo dos últimos meses, trouxeram gente a este sítio que é a razão do vosso viver. A selecção, que exclui algumas variantes menos interessantes, obedece a critérios insondáveis e está ordenada alfabeticamente. Optei por não fazer as ligações para as postas a que cada uma das buscas remeteu por ser uma grande trabalheira que eu não tenho tempo nem paciência para realizar de momento. Quem estiver interessado pode sempre ir ao Google, Google.pt ou Google.com.br, responsáveis pela esmagadora maioria das buscas aqui referidas, e brincar um bocadinho. E agora, a lista:
- apertadinha
arrotos prolongados azeitona engorda porque bandeira portuguesa seios blog cheia de reflexao carrega no periquito caspa na metafisica eduardo mãos de pénis expressoes populares cor de laranja fodas de portugal fotos de mulheres e homens anormais frases desgostos na vida gaja nua mandar a biblia para telemovel em mensagens maridos teimosos o espirito santo alguma vez desceu a terra? o que mastercard tem a dizer sobre 666 prenda ex marido sonhar com porcos trabalho para despachar sobre monumentos de portugal um tanto atarantado os azeitona verbo continuar portugal perfeito passado continuamos gramatica Não posso deixar passar esta ocasião sem fazer uma menção muito especial e ternurenta às largas centenas de pessoas, provenientes principalmente do Brasil, que já cá vieram ter na sequência de buscas sobre ponto cruz (alfabeto ponto cruz, vacas em ponto cruz, ponto cruz cegonha, letras ponto cruz, etc., etc. etc., etc.) e que foram todas ter a esta posta, que, provavelmente, não contem a informação de que tanto necessitam. Julgo que a explicação para este fenómeno estará na grande descoincidência entre o número de pessoas que perscrutam a net ávidas por conhecimentos mais avançados na área do ponto cruz e a quantidade de recursos existentes sobre esse tema. Quem sabe se não será essa uma boa área de negócio a explorar por quem esteja para aí virado. |
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Última hora
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Existe uma lista de votáveis. O conteúdo dessa lista não foi divulgado por razões de segurança. Da segurança de quem o conhecesse, ou seja, da vossa segurança. Há coisas que é melhor não saber. Talvez até só haja coisas que é melhor não saber. O conteúdo da lista de votáveis pertence a esse conjunto de coisas, independentemente do seu tamanho e intersecções. Mas o que interessa é que, hoje às 09:47, Manuel Alegre saiu dessa lista. Já estava com um pé dentro e outro fora há uns tempos, e isto de sair da lista é algo que terá necessariamente de acontecer a todos menos um. Ou a todos menos zero, mas isso já é menos provável, visto que também há uma lista de problemas de consciência que precisa de dieta rigorosa. Também essa lista permanecerá em larga medida desconhecida por razões de segurança global.
P.S. As razões também são estas, mas não só. |
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Coração de ouro
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Um coração de ouro é um coração duro e frio que só vale alguma coisa depois de arrancado. |
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Coração de esferovite
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Não, sabe, eu no fundo sou uma pessoa de gostos simples, da vida sem grandes complicações, do lamber os dias pelo seu sal. O que aqui me traz é este mal de ter um coração muito grande, um coração que transborda, que me dói nas costelas se o não der aos outros. Conhece aquela história da senhora que todos os dias ia para o meio da praça com milho para os pombos? Um dia foi, como sempre, para o meio da praça, mas só quando levou a mão à mala para tirar o saco de milho reparou que se tinha esquecido dele em casa. Ainda tentou engendrar uma manobra de diversão, mas os pombos, que entretanto já voavam às centenas na direcção dela, comeram-na, ali à frente de toda a gente. Diz quem viu que foi uma grande porcaria. E é aí que eu quero chegar: os pombos, à visão do gesto que lhes trará o milho, já não voltam para trás, mesmo que o milho, afinal, não exista. Quem falava muito bem disso era Pavlov. Nunca leu? Eu fartei-me de ler Pavlov na minha juventude, sempre achei um crime não lhe darem o Nobel. Mas, como eu dizia, é ao destino da senhora do milho que me apresento, porque é mais forte que eu, porque se não for assim rebento, percebe? Eu tenho um coração de esferovite, que se desfaz em milhões de bolinhas brancas quando o raspam nas paredes ásperas da injustiça, da iniquidade, da solidão. Será esse o meu contributo para o fim da incompreensão, espalhar as bolinhas brancas produto do meu coração esfarelado pelos espíritos ávidos das gentes desta terra. Você não sabe porque não pode saber, porque é muito novo, você não sabe aquilo por que tivemos de passar. E eu, com este coração desconforme, sem poder fazer nada. Ter o coração ao pé da boca, o coração ao pé das mãos, o coração ao pé dos pés, o coração ao pé de tudo, um coração que não deixa espaço para os pulmões e com eles o respirar. Por isso é que às vezes faço uns ruídos estranhos. Sabe a história do homem que todas as manhãs ia para a Baixa dar dinheiro aos transeuntes? Dar dinheiro, imagine! E ainda mais naquele tempo! Ninguém sabia de onde lhe vinha a fortuna, dizia-se que duma tia rica, mas nunca houve certezas. O que é certo é que não havia manhã que o homem não fosse para a Baixa deambular por entre as pessoas e deixar-lhes moedas nos bolsos. Era o espelho dos pedintes, que estão parados a receber dinheiro. Até que um dia foi para a Baixa sem dinheiro para dar, foi só passear um pouco. Já está a ver o que lhe aconteceu, não é? Pois é, não teve de esperar muito até ser comido pelos mesmos pombos que tinham comido a senhora da história que lhe contei há bocado. E agora, pergunta-me você, para que raio queriam os pombos o dinheiro? Não foi pelo dinheiro! Foi o reviver! Os pombos tinham tomado o gosto ao sangue temperado com aquela descarga de adrenalina própria das rotinas quebradas. E é por isso, por todo um passado que muitos podem não compreender mas que, se soubessem o que eu sei, gostariam que fosse o futuro, que digo "Aqui estou". |
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Um frio que não se pode
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As várias magnólias de folha caduca do centro de Coimbra (M. denudata e M. soulangiana) já estão todas a postos e prometem um escândalo de proporções jornalísticas para o Especial Floração 2006. A excepção é a Magnolia acuminata do Jardim Botânico, que deverá permanecer fiel à sua natureza, ou seja, discreta.
Mesmo lá para baixo, para os Algarves, o cair da noite faz-se por estes dias acompanhar de uma friagem que me pareceu francamente despropositada. O que vale é que os dias, em compensação, estão uma riqueza para passear.
«Se o mar fervesse havia muito peixe cozido» veio, de certa forma, fazer companhia a «Malandro não pára, dá um tempo», que, estranhamente, já se dava bastante bem com «Is that a gun in your pocket or are you just happy to see me».
Não necessitando de recorrer a referências estrangeiras, Monchique toma a dianteira de alguma coisa ainda não denominada ao assumir-se, ainda que à boca pequena, como a «Sintra do Algarve».
As laranjeiras (Citrus sinensis) que vivem nos arruamentos de Moura, Alentejo, estão ajoujadas de laranjas gigantescas como mais nenhumas que eu tenha visto – e não foram poucas – por esse país fora nos últimos dias. Desconheço as razões para tal facto, que no entanto atribuo ao clima, às propriedades mágicas da terra de Moura, à intervenção de monstros alienígenas gelatinosos, a experiências secretas conduzidas pelo Governo norte-americano com a complacência das autoridades portuguesas e a Deus Nosso Senhor, por esta ordem.
Existe uma terra chamada Imaginário. Fica às portas das Caldas da Rainha e, talvez apropriadamente, é constituída por um conjunto incaracterístico de casas atípicas dispersas em redor de uma estrada domesticada por um semáforo de controlo da velocidade. Não consigo explicar a paz que a aquisição deste conteúdo me trouxe, ainda que apenas por breves momentos.
O funcionamento do departamento/divisão/serviço de sinalética da Câmara Municipal de Alcácer do Sal devia ser repensado. A sério que devia. |
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Os inabaláveis princípios do Inspector Rousseau
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O Inspector Rousseau sabe que não deve tirar partido da sua posição privilegiada para fazer avanços menos próprios sobre uma vítima de crime violento, mesmo que ela tenha sido serrada ao meio longitudinalmente e já leve, segundo o médico legista, 3 semanas de frigorífico. Pelo menos enquanto houver outras pessoas a olhar. |
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As más companhias, a televisão, os videojogos, o Marylin Manson e a genética, na pessoa daquele tio ostracizado a quem o puto teve a má sorte de sair
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O primeiro sinal de que nem tudo correria calmo deu-o quando lhe perguntaram O que queres ser quando fores grande e ele respondeu Acelerador de partículas. |
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Summertime
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Falava e agia como se não soubesse que é na dádiva que viaja o egoísmo mais criminoso, como se desconhecesse que só raramente evitamos cometer os crimes de que fomos vítimas. Sabia-se à partida desculpado porque era aquela a sua forma de tornar o Verão eterno e porque as opções eram conhecidas e aceites por todos: haveria o que lembrar mas não quem se atrevesse a fazê-lo ou, mais uma vez, não haveria o que esquecer. David Hockney, Peter Getting Out of Nick's Pool, acrílico sobre tela, 1967
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Tendências de mercado
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Em deleite outonal pelas ruas vermelho-liquidâmbar fui desassossegado por uma dúvida que já me perseguia, quase silenciosa, há alguns metros: haverá algo mais que as insondáveis tendências do(s) mercado(s) por detrás da evolução da publicidade não solicitada que recebo por email — cada vez menos Viagra e Prozac quase de graça, cada vez mais Microsoft Office e Adobe Photoshop a preços de saldo? Foi então que dei comigo a conseguir voltar ao reino vegetal imaginando que quem souber a resposta me fará o favor de morrer com ela. |
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Mare clausum (quem espera por vezes alcança)
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