Agrafados e agrafadas. Como por certo não vos há-de ter escapado, mau grado as vossas limitadas capacidades intelectuais, o Agrafo evitou envolver-se em demasia nesta miserável campanha eleitoral para a Presidência da República Portuguesa que entretanto, felizmente, terminou — a campanha, não a República Portuguesa. E o Agrafo evitou envolver-se, não porque tivesse medo de se chegar à frente, mas porque não viu qualquer interesse nessa realidade pequenina e suja que vos ocupa os dias. No entanto, não pode ser obliterado que o envolvimento do Agrafo, tendo sido pouco, foi algum, e que consistiu em breves mas contundentes manifestações de desagrado para com as candidaturas que ficaram, precisamente, nos dois primeiros lugares e que, somadas, obtiveram mais de 70% dos votos.
Não é que se dê o caso de o Agrafo ainda ter ilusões acerca da corja imunda que dá pelo nome um pouco ridículo de «eleitorado» — anda cá eleitorado, anda, tss tss tss -, mas não pode aqui deixar de manifestar algum nojo pelo desplante por ele demonstrado nesta eleição. Não é obrigação de ninguém abraçar o cinismo, a ironia de mau gosto, a pura e simples falta de educação e a absoluta ausência de qualquer proposta minimamente construtiva que caracterizam o Agrafo. Não é obrigação de ninguém pretender para o seu país e para a humanidade em geral o azedume e a corrosão estratégica. Mas teria sido obrigação de todos e de todas quantos e quantas detêm o direito de voto produzir um resultado decente, apresentável, que se pudesse mostrar às visitas.
Infelizmente, tal não se verificou. Este resultado é uma vergonha, este resultado é abominável aos olhos do Agrafo. Graças a vós, teremos agora na Presidência da República Portuguesa uma pessoa que, embora respeitável, não é, de momento, comentável pelo Agrafo, isto à luz do compromisso recentemente assumido de aqui não se escreverem palavrões. Ainda assim, e não deixando de se contar entre os derrotados por este resultado repugnante, o Agrafo não pode fugir a partilhar convosco a convicção profunda e fétida de que a sua ausência de projecto, a sua estagnação, a sua incapacidade de mobilização e a sua improdutividade renitente têm pernas para ficar paradas a olhar e a mandar bocas foleiras a quem, melhor ou pior, dá o que pode pelo progresso e não sei quê. Para o bem e, principalmente, para o mal, o Agrafo aqui estará e contará convosco da mesma forma que vós nunca podereis contar com Ele. Obrigado. |