Convém não alimentar a esperança de que haja beijo capaz de o transformar num príncipe ou noutra coisa qualquer: é um sapo, um grande sapo, e continuará a ser um sapo. Está para ali há uns meses com aquela expressão de dignidade resignada tão característica dos sapos. Apesar disso, apesar do estranho respeito que inspira, não deixa de ser um animal profundamente repugnante, qualidade ainda mais evidenciada pelo seu tamanho descomunal. Julgo que não é normal os sapos atingirem aquele porte – eu, que estou habituado a sapos, nunca tinha visto nada assim. E coaxa, rouqueja, ronca que se farta. Volta e meia dá-lhe para a barulheira e não há quem o cale. Mas o meu problema é mesmo com o tamanho: não sei como é que vou conseguir engolir aquilo no próximo Domingo. |