Não escondem o passado, aqueles olhos castanhos, e isso torna-os ainda mais belos. Mostram sem pudor os mares por que passaram, as terras em que viveram, as paixões em que se perderam. São olhos com história e o Inspector Rousseau não consegue desprender-se de tudo o que eles têm para contar, não é capaz de deixar de os fitar bem fundo numa quase súplica silenciosa. Não consegue evitar alguma comoção que lhe inquina a cabeça com pensamentos que não poderá nunca confessar. Se ao menos aqueles olhos falassem, se ao menos pudessem dizer por que estão ali, no chão do átrio do Hotel Solimar, separados um do outro por dois metros de soalho salpicado com sangue e restos de massa encefálica. |