Foi também no início desse ano que descobriu que o poder das manifestações de desinteresse era incomensuravelmente superior ao da simples ausência de manifestações de interesse. Se estas permitiam um grau de irresponsabilidade até então inédito, nunca chegavam para afastar completamente o perigo de intrusão no casulo emocional a que, progressivamente, ia limitando o seu quotidiano. As experiências com as manifestações de desinteresse começaram, assim, imediatamente após a sua descoberta, sem o recurso a uma fase de testes.
Os bons resultados obtidos com as primeiras aplicações criaram-lhe a certeza de ser aquele o caminho certo e vários interesses colaterais foram impiedosamente abatidos ao efectivo. Anos mais tarde, e embora nunca admitindo ter caído no ridículo que tanto abominava, viria a lamentar o voluntarismo com que tinha descartado tantas fontes de diversidade não sujeitas a controlo prévio, referindo-se, entre outros, ao famoso caso em que convidou uma pessoa para lanchar com o único objectivo de lhe demonstrar de forma ostensiva que não se interessava por ela. |