Embora viva a curta distância do seu emprego, na Divisão de Massacres e Atrocidades, o Inspector Rousseau vai sempre de autocarro para o trabalho. E embora haja um autocarro directo que pára quase à porta do seu prédio, o Inspector Rousseau tende a apanhar 3 ou 4 autocarros apinhados que o levam a percorrer uma parte considerável da gigantesca e perigosa megalópole onde vive antes de chegar ao destino final. Mais: mesmo quando pode evitar as horas de ponta, não o faz. Entre os colegas, esta preferência é motivo de apostas. Há quem diga que este comportamento do enigmático Inspector Rousseau mais não é que parte do seu trabalho de compreensão da natureza humana e do crime na grande cidade. Para outros, é apenas uma forma de encontrar alguém que há muito perdeu. O mais provável é que nunca ninguém venha a saber a verdade que privaria todos os apostadores de um desfecho satisfatório. E essa verdade é que os percursos do Inspector Rousseau em autocarros cheios não passam de um meticuloso trabalho físico de angariação de estímulos para o frio oco das noites que lhe preenchem a mente. |