Imaginem um grupo de amigos, todos jovens, belos como Judas, que ouvem um CD de uma banda britânica de culto dos anos 80 enquanto emitem algumas opiniões fortemente intoxicadas acerca da vil dependência em que as multinacionais da música mantêm o vulgo ignaro e ovino. Imaginem agora, passados alguns anos, um desses jovens (que agora já não são assim tão jovens) a ser confrontado com a passagem de uma música do tal CD de uma banda britânica de culto dos anos 80 no hipermercado enquanto escolhe uma courgette. Ou enquanto deambula por entre o cheddar e o gruyère. Ou enquanto se tenta decidir entre o tomate chucha e o tomate cacho. Ou enquanto olha, lascivo, para os enchidos tradicionais de Ponte de Lima. É muito chato. Há com certeza maneiras melhores de uma pessoa descobrir que aquele não é o passado que quer para si, imagina ele. Melhores e mais atempadas.
Nota: aquelas 2 ou 3 pessoas que imaginam ter visto aqui, há dias, uma versão «intimista» deste texto, deverão fazer o favor de concluir que andam a ver coisas. |