Mais uma moradia suburbana devassada e todos os seus habitantes brutalmente assassinados, fatiados e cuidadosamente arrumados dentro do frigorifico em recipientes apropriados à conservação de carnes frias. Mais uma vez, também, não há sinais de violência e, a repetir-se o cenário dos outros 54 casos semelhantes ocorridos no último mês, não serão encontradas impressões digitais para além das deixadas pelas próprias vítimas. Os agentes da criminalística recolhem tudo o que possa ser considerado um elemento importante para a investigação sob o olhar bovino do Inspector Rousseau, que vagueia pela casa enquanto mastiga um hambúrguer gigantesco e sorve ruidosamente um refrigerante de cola altamente calórico. Para ele, é evidente que este crime, como os outros que o precederam, foi cometido por alguém convencido da sua superioridade moral que, não conseguindo viver com o facto de ter sido apanhado a roubar 200 gramas de cereja da Cova da Beira, começou a matar indiscriminadamente famílias inteiras. Pelo menos foi isto que disseram as vozes que invadem a cabeça do Inspector Rousseau nas noites de Lua nova, mas ele guarda estes pensamentos para si próprio, pois conhece, de experiências passadas, a falta de abertura de colegas e superiores a estes métodos de investigação criminal. |