Infradiano
Têm estado uns lindos dias, uma brisa amena, o mar calmo e tépido, a praia grotesca de cheia. Como de costume, não há mais nada para fazer e por isso vamo-nos deixando ficar por lá o dia todo, de manhã cedo até à noite. Quando a despesa em protector solar se tornar insuportável, passaremos a ficar no janelão da sala do T1. Este ano tivemos sorte com o apartamento, especialmente se considerarmos o preço: é espaçoso, tem uma vista desafogada para as traseiras do Minipreço, fica a 1 hora a pé da praia. E cabemos lá os 7 sem problemas de maior, se exceptuarmos o de só haver uma casa de banho, mas como o café que fica no rés-do-chão está sempre aberto, ainda não houve situações que não se resolvessem. O pior é que ninguém tem lata para lá ir usar a casa de banho sem consumir nada. Quando a despesa em pastilhas elásticas se tornar insuportável passaremos a mijar para fora do janelão da sala do apartamento sempre que houver apertos. A alimentação é que não tem sido grande coisa, como deves imaginar. Ir para a praia todo o dia implica fazer aquela alimentação à base da sande que não faz bem a ninguém. A outra solução seria irmos comer ao apoio de praia, que é o que agora chamam ao bar onde cobram preços escandinavos por qualquer merda que lá se consuma. Isto, para pessoas que andam a sandes de manteiga porque já nem para o
queijo, o
fiambre, o
tomate, o
ovo têm dinheiro, é completamente impraticável. Estivemos a fazer as contas e parece-nos que nem a comer sandes de quase nada o dinheiro chegará até ao fim das férias. Mas se a despesa com o pão se tornar insuportável, atiramos a velha pelo janelão da sala do apartamento e dizemos que foi ela que se desequilibrou. Sempre é menos uma boca a comer e a Segurança Social até agradece. Depois, quando for hora de voltarmos para casa é que gostaríamos que nos viesses buscar, pois julgo que não vamos ter dinheiro para o Expresso, mesmo contando com a prévia defenestração da velha e a possibilidade de enfiarmos o puto no trólei.
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