Foi uma mulher sofredora, que criou os seus filhos por amor e com amor, segundo as tradições e à revelia das traições e da violência que a submergia. Resumida aos trabalhos silenciados, só outros poderiam tê-la dito habitante de um espaço que, à falta de alguém mais que o ocupasse, se tornou o dela. Já velha e desapossada de tudo pelas voltas da vida, com uns filhos mortos como o pai e outros matadores como o pai, não tem muito a desejar para além de um suave desvanecer-se que as doenças pacientemente lhe vão negando. É então que os deuses, comovidos com a sua entrega, devoção e martírio em nome dos bons nomes, por uma vez se manifestam para a recompensar e transformam-na num azulejo de casa de banho. Mas uma coisa com bom gosto. |