Já uma vez contei como a descobri: em Janeiro de 1975, no fundo da liteira que o Damião Athayde Fonseca, grande amigo da mamã nos dias saudosos de Lourenço Marques, me tinha emprestado enquanto a minha estava no artisan para lhe polirem os anjinhos barrocos em madeira de sândalo, no fundo da liteira, dizia, estava esquecida uma edição numerada e assinada pela autora do seu primeiro livro. Esse dia acabou com bombardeamentos e, regressado a casa, fui obrigado a aumentar o som do violoncello (Dvořák, Op. 104) para conseguir fruir Os Ares Arejados, tal era a algazarra que os aborígenes faziam enquanto se matavam e não sei quê. Um aborrecimento terrível. A partir daí fiquei agorafóbico.
* Pastiche. |