A verdade é que vida se foi tornando cada vez mais difícil no Parque Natural. Não permitiam a construção de mais casas, não licenciavam mais superfícies comerciais, não havia novas estradas e as velhas eram mantidas no limiar da decência rodoviária. Assim, foram conseguindo o objectivo nunca assumido de expulsar os antinaturais para fora do Parque Natural. Julgo que não fui o último a sair, que ainda haveria mais algumas pessoas por lá quando me fartei da passar os dias a enterrar os dedos na areia da praia e a brincar com as carochas. Via os vestígios de outros aqui e além, sinais de vidas que não podiam ser as de turistas: uma pequena coluna de fumo que se elevava de um vale todas as manhãs, algumas pegadas que se renovavam junto à ribeira, árvores cujos frutos desapareciam. Tudo demasiado entediante.
Keith Haring, sem título, 1982 |