Rurália. Novamente Rurália, terra que me viu nascer já vai para mais de 30 anos. Regresso a Rurália como sempre no verão, agora salvo da morte lenta pela internet de banda gástrica que entretanto se estendeu pelo país. E os emigrantes no oeste, mais os imigrantes do leste, mais eu, que sou dos refugiados no sul, mais os poucos sobreviventes permanentes sem dentes que querem saber coisas que ninguém está interessado em recordar. Daqui a dias, nas festas de Nossa Senhora da Escarafuncheira, os foguetes incendiários, os bailaricos para onde vou fazer publicamente olhinhos às saloias que coram e os restos de pinhal para onde vou secretamente ter com os labregos que não sei se coram porque está muito escuro para ver. Rurália, ah, Rurália. É sempre tão bom regressar a Rurália. |