Eu é fímbria. Não suporto fímbria, que ainda por cima tem o hábito de vir no plural. É uma daquelas palavras que ficam a retinir durante uns segundos e turvam o mais que se está a ler ou ouvir. Uma fímbria é o suficiente para destruir um texto, qualquer texto, independentemente da sua natureza ou tamanho. O que vale é que a maior parte dos textos em que a fímbria entra já estava à partida na fímbria do bom gosto.
Com marujo é o contrário. Marujo é uma palavra que dá graça e leveza a uma frase sem a perturbar, sem a acordar fora de horas nem mandar para a cama antes do tempo. É por vezes capaz de fazer descolar do lodo o texto mais rasteiro.
Almejar, por exemplo, é também uma boa palavra e um bom verbo. Está sempre muito melhor tempo quando se almeja do que quando se recorre à sua sinonímia.
E depois há sempre o não, o tão esquecido não, cuja grafia trai a sua imensidão. É belo e redondo e macio, mas pouca a gente consegue percebê-lo e utilizá-lo convenientemente. Temos a melhor nega da Europa e deixamo-la para aí aos caídos, a tapar buracos, a ser chamada para os trabalhos que mais ninguém consegue fazer. Que nojo (nojo também não é má). |