São cíclicas, estas notícias sobre os malefícios dos jogos de computador. Mal chega a orgia comercial dos festejos do nascimento de Jesus Cristo e aparecem logo alguns estudos (recentes) que provam que a utilização prolongada de jogos electrónicos violentos é a causa de males da sociedade que, durante o resto do ano, são geralmente atribuídos à televisão e ao Death Metal. Este ano até já há um estudo português sobre o assunto, imagine-se! Temos o défice que temos e andamos a gastar dinheiro em estudos e não sei quê — ponham os olhos no Dr. Rio do Porto, meus senhores e minhas senhoras! Quais teatros, quais músicas, quais estudos! Não há dinheiro, não há dinheiro! Enquanto houver pobrezinhos, não há dinheiro para estudos! Essa gente, esses 'ólogos' todos, deviam era ir trabalhar para as obras durante 1 ano para verem o que custa a vida!
Contrariamente ao que o parágrafo anterior vos pode ter levado a pensar, a verdade é que eu não sou um especialista neste assunto, mas apenas uma pessoa que fala pela sua longa e esquálida experiência pessoal: quase uma década e meia de Wolfenstein 3D, Doom, Quake, Nuke 3D, Carmaggedon, Quarantine, toda a sanguinolenta série GTA, isto só para falar daqueles que ainda hoje me fazem acordar a meio da noite encharcado em suores frios! E posso garantir-vos que nem nos momentos mais complicados, como quando, na semana passada, andei a despejar os bocados esquartejados da minha empregada ucraniana pelos caixotes de lixo aqui dos arredores, senti que os meus actos foram, de alguma forma, afectados pelas imensas e maravilhosas horas que passei à frente do computador, vidrado nos jogos electrónicos que estas bestas ignaras agora criticam. |