Está um frio que não se pode em Copenhaga. É muito difícil encontrar um teclado português em Copenhaga. Há quem traga portáteis por causa da dificuldade em encontrar teclados portugueses em Copenhaga. Há quem use apóstrofos e outros artifícios para sobreviver à falta de acentos meridionais. Os Suecos dizem que o dinamarquês não é uma língua, é uma laringite. A mim parece-me mais uma esofagite de refluxo que uma laringite, mas a verdade é que nunca tive nem uma coisa nem outra e por isso a minha opinião é capaz de não contar. Mas também deixa estar que os Suecos podem falar muito. Uma pessoa não se pode distrair que fica logo de noite em Copenhaga. Não que faça muita diferença a quem tenha de passar os dias inteiros acondicionado pelo ar condicionado do luxuoso e tórrido e impronunciável e insoletrável Centro de Exposições. Cheira um pouco a legionela mas deve ser da minha hipocondria porque afinal estamos em Copenhaga e fonte segura disse-me que a legionela não cheira a legionela nem a qualquer outra coisa que as minhas ventas de suburbanita estejam aptas a captar. A comida é boa mas branda demais para o meu gosto. Diz que há quem traga coentros em caixas de plástico que são depois tomadas no aeroporto por narcóticos. Sabem-na toda, os dinamarqueses, apesar de não saberem falar. |