Olho para um lado, olho para o outro, a rua está completamente deserta. Olho em frente, fixamente para a loja abandonada e vazia, tornada ridícula pelo papel castanho onde ainda se consegue ler que está fechada para obras. O meu reflexo na montra empoeirada é pretexto para o único movimento visível num local onde nem os insectos nem os ratos conseguem continuar a encontrar motivos para viver. As ervas que crescem na vez dos lancis, a distribuição da poeira pela estrada, apenas perturbada por algumas marcas de pneus antigas, tudo confirma as fontes fidedignas que me garantiram que todo o meu passado foi desmentido com a veemência possível e que a veemência possível foi grande. Para mim, isto quer dizer que lá dentro está alguém que olha fixamente na minha direcção mas vê apenas uma rua vazia.
Evelyn de Morgan, Fósforo e Héspero, 1881 |