O Centro de Exposições é a melhor coisa que Copenhaga tem para oferecer a quem tem o infortúnio de cá vir parar em Novembro. A pior coisa que Copenhaga tem para oferecer a quem tem o infortúnio de cá vir parar em Novembro é o percurso entre um hotel na Baixa e o Centro de Exposições. É certo que a acção decorre toda dentro de um táxi quentíssimo como todos os restantes interiores nesta cidade, mas os exteriores são tão profundamente desinteressantes que até já dei por mim a sentir saudades da minha vida sexual. De «manhã», Copenhaga é um postal de prediozinhos tradicionais em Lego colorido e urbanizações modernas muito arrumadinhas, tudo animado por bicicletas conduzidas por gente seráfica saída de um anúncio da Evax. De noite (propriamente dita), é um postal de iluminações de Natal sóbrias bastante desanimadas por alguns bêbedos mal amparados pela previdência e bem domesticados pela providência. Eu tentei mudar-me para o hotel que fica dentro do próprio Centro de Exposições, que até é mais barato, mas está cheio ad aeternum. Não me espanta, Copenhaga é uma cidade ameaçadora. Desconfio que o regresso aos rigores do Outono beirão vai parecer-me um delírio vernal de cor e passarinhos chilreantes que o meu coração talvez já não esteja capaz de aguentar. |